A herança deixada pelo falecido cidadão José Eduardo dos Santos, a partir da justiça americana e por consequente intervenção da PGR angolana, o cidadão português, Ricardo Leitão Machado, amigo de Tchizé dos Santos, testa de ferro do ex-presidente e outros elementos da sua entourage, está agora a contas com a justiça de vários países, depois de no passado ter sido condenado em Portugal.
O cidadão amealhou uma fortuna avaliada em 450 milhões de euros, depois de se ter refugiado em Portugal após ter sido indiciado em Angola por fraude, não sem antes ter sido condenado em Portugal, andando de um lado para o outro.
Comprou, com dinheiro transferido via BESA, já aqui tínhamos dado conta há dois anos, a maior propriedade murada da Península Ibérica. Com 7500 ha, e localizado a meia distância entre Lisboa e Madrid, junto a Penha Garcia, no concelho de Idanha-a-Nova, o Vale Feitoso não só é a maior herdade do país, como a maior reserva de capital natural privada na península ibérica, totalmente em regime biológico. Acresce ainda, a herdade da Torre Bela, a maior reserva de vida animal selvagem de Portugal, com infraestruturas de luxo, campo de golfe, campos de ténis e piscina.
Adquiriu também, a instância termal de Monfortinho, uma das mais famosas de Portugal, e sabe-se que José Eduardo dos Santos, tinha comprado ainda uma Quinta da Região do Vinho do Porto, com edificações e caves centenárias.
Mas não é só, também houve grandes investimentos em cavalos, também aqui noticiamos há mais de um ano, aqui entra uma grande fazenda do ministro Rui Falcão, que tem ligação ao Centro Real Equestre da Golegã, centro nevrálgico do cavalo lusitano, que veterinários portugueses conseguiram na propriedade de Rui Falcão, cruzar com a raça autóctones do Cunene.
Mas como foram feitos os resgates de tantos fundos do Erário Público Angolano?
O cidadão português com negócios com o ex-marido de Tchizé dos Santos, faturou ao ministério da energia da República de Angola, sob a tutela de José Eduardo dos Santos, carruagens para os Caminhos de Ferro de Angola, e geradores gigantes para grandes cidades, fabricados pela General Electric, e é aqui que entra a justiça americana, foram emitidas faturas falsas e o intermediário apenas pagou metade do 10 milhões de dólares combinados.
Mas não ficou por aqui, tomado pela ferrugem em degradação irreversível, segundo me disse um técnico provincial de Benguela, algures em Ombaka está um gerador de fabricação sueca, que foi faturado por 60 milhões de dólares, e nunca funcionou.
Esta semana vem a público uma reportagem na revista Sábado, editada em Portugal, que vai focar este assunto, irá, com certeza, despertar o fantasma da herança de José Eduardo dos Santos, que tem sido esgrima até agora entre escritórios de advogados, mesmo porque grande parte das aplicações financeiras, diz-nos um advogado dentro da disputa, estão associadas com Manuel Vicente.
É aqui que tem entrado a nossa insistência na cumplicidade e incompetência do nosso Procurador Geral, Hélder Pita Grós, primo chegado de Hélder Vieira Dias “Kopelipa”. Dá para entender?
Como pode resistir uma república herdada com peso deste emaranhado entrelaçado de nepotismo, oportunismo déspota, que envolveu uma teia que abraçou governo e oposição?
Estes são reflexos do esforço gigantesco feito pelo Senhor Presidente da República de 2017 a 2022, o que revela que o seu governo só teve espaço para a governação em prol do desenvolvimento, ainda assim condicionado por um serviço da dívida e o peso descomunal da dívida interna, que condicionou o desenvolvimento privado desde 2014/2015. Ainda assim é olhar pelo retrovisor e visionar o que fez João Lourenço, e olhar em frente pelo para brisas e verificar o que está ser feito de Cabinda ao Cunene, do Atlântico ao Leste, quando Angola só com na atual governação começou a postar-se na formação, de 2002 a 2017 só se venderam facilidades.
A meu ver, aqui tenho repetido tantas vezes, Angola necessita de continuidade nesta fase de desenvolvimento, há necessidade de rejuvenescimento, mas é fundamental uma liderança experiente e capaz, caberá a João Lourenço liderar o processo com determinação e estabilidade, é ele o condutor da mudança que nos trouxe para um novo paradigma, é essa luz que ilumina o caminho ladeado de crença e esperança que nos irão levar a uma Nova República.

