A Verdade Nua e Crua

ByKuma

4 de Fevereiro, 2026

Há um aproveitamento de uma realidade histórica inegável, a Igreja Católica Apostólica Romana, com sede no Vaticano, esteve no expansionismo colonialista, no esclavagismo, e nas ocupações que se desenvolveram em 500 anos de poder disfarçado de evangelização.
Ontem, Vladimir Agostinho, afirmou no Icolo e Bengo:
“A igreja desempenhou um papel preponderante e foi um agente activo na Luta pela Libertação Nacional, afirmou, hoje, o secretário-geral do Conselho de Igrejas Cristãs em Angola (CICA).”
Para quem queira consultar parte dos Arquivos da PIDE/DGS, na Torre do Tombo ou na Biblioteca Nacional de Portugal, o próprio Cónego das Neves, militante disfarçado da UPA/FNLA, controlado pela PIDE, foi um orientador e traidor nos acontecimentos do 4 de Fevereiro, as reuniões na Sé Catedral de Luanda estavam sob escuta, daí a quantidade de mortes durante o acontecimento histórico.
As próprias missões cristãs, católicas, protestantes e adventistas, só começaram a desempenhar um papel ativo na educação, formação, após a Luta de Libertação, até então serviram unicamente para a assimilação do “dito” Indígenenato. 
Houve missionários de excepção, por conta própria, fora do contexto, pagaram caro, foram perseguidos. Médicos como o Dr. Strangway, em Nova Sintra, o Dr. Ruy Parsons, no Bongo, o Dr. Herman Kunz, na Camela, o médico indiano de Goa, Dr, Gomes Pinto, na Ganda, e o médico português Dr, Orlando de Albuquerque, marido de Alda Lara.
A Igreja Católica, sempre teve o condão de se adaptar ao Poder instituído, D. Afonso Henriques, primeiro rei de Portugal, só tomou posse formal após a autorização papal. Eu quando nasci, o meu registo de nascimento foi feito pelo padre e até hoje permanece na Arquidiocese do Huambo.
Ainda hoje, está à vista, temos uma igreja completamente fragmentada, uma parte realmente patriota, e outra reacionária, instigadora de uma revolução a qualquer preço, basta ouvir alguns dos seus intervenientes.
Só para ter uma ideia do envolvimento da Igreja no Poder Colonial, o general Costa Gomes, quando Chefe do Estado Maior General das Forças Armadas Portuguesas em Angola, que posteriormente ocupou o mesmo cargo em Portugal no período da Revolução de 25 de Abril de 1974, e mais tarde foi Presidente da República, afirmou nas suas memórias, que em Angola a seguir ao Governador Geral, quem mais poder tinha era o decano dos bispos, D. Daniel Gomes Junqueira, bispo de Nova Lisboa, Huambo. O bispo de Benguela, D. Armando Amaral dos Santos, nascido no Chinguar, Bié, que foi um dos grandes críticos do situacionismo, só que morreu em 1973, num estranho acidente automobilístico numa manhã de domingo, entre o Lobito e o Bocoio. Nesse mesmo dia, eu fazia o caminho inverso, ia do Bocoio para o Lobito.
Isto é um apontamento pessoal, a história será mais detalhada, mas como angolano, aqui presto homenagem aos históricos valentes que disseram NÃO, com o sacrifício da própria vida.