Quando Abel Epalanga Chivukuvuku, líder do PRA-JA, veio a público afirmar ter havido instruções de Jonas Savimbi, então líder da UNITA, para tentar aproximação a dirigentes do MPLA, distorce e ludibria os acontecimentos de então.
Jonas Savimbi, sempre teve linha aberta com França N’Dalo. Em 1992 Fernando da Piedade Dias “Nandô” dos Santos, era tido como inimigo primeiro do Galo Negro, foi sob as suas ordens operacionais que, foram assassinados o sobrinho de Savimbi, Salupeto Pena,e o seu amigo mais fiel, homem de confiança absoluta, Jeremias Kalundula Chitunda.
Em plena fase dos acontecimentos, acompanhei na qualidade de jornalista, o embaixador português José Tadeu Soares, em Paris, num contacto em Paris, França, onde o embaixador de Angola, Boaventura Cardoso, garantia que Salupeto, Chitunda, Ben Ben, e outros estavam mortos, Chivukuvuku estava ferido e Fátima Roque estava bem, abrigada no Hotel Trópico.
Paulo Lukamba Gato, fugia para o Caxito numa viatura da polícia, e pela rádio ouviu de “Nandô” o seguinte: “quero esse gajo do Gato vivo ou morto”. Daí, numa tarde de domingo, após um belo repasto em sua casa, na Vila Alice, na varanda, ao entardecer, em conversa entrecortada com um belo charuto, me confidenciou: “Gomes, posso viver 100 anos, jamais perdoarei ao “Nandô”.
Fátima Roque e Abel Chivukuvuku, foram salvos, e Ben Ben recebeu tratamento, porque Portugal lançou uma operação diplomática que levou à participação de Mário Soares, Cavaco Silva, junto do embaixador de Angola em Lisboa, Mawete João Batista, e junto de José Eduardo dos Santos, já com a participação, também, o então Secretário Geral da ONU, Boutros Boutros-Ghali.
Higino Carneiro, ainda não era general, já Jonas Savimbi não confiava nele, achava-o muito vaidoso e um homem sem palavra, sem caráter. Só por puro oportunismo político, que lhe é característico, Abel Epalanga Chivukuvuku, vem agora tentar tirar dividendos da sua relação com Fernando da Piedade Dias “Nandô” dos Santos (1950-2025), quando essa amizade foi cimentada após 2002, assente em negócios partilhados e conveniências políticas que emergiram a partir de 2017 e que ganhavam corpo para os desafios que se aproximavam.
Há documentos exarados destes acontecimentos de 1992, incluiu muita gente, foi desde então que Horácio Roque, marido de Fátima Roque, começou a enfrentar dificuldades até à sua morte e falência do BANIF, Abel Epalanga Chivukuvuku, claramente, a história dirá, foi salvo pela diplomacia exercida bilateral e multilateral para salvamento de Fátima Roque.
Em política não vale tudo…!!!

