A morte de Nandó devolve Angola a um daqueles momentos em que o país é chamado a olhar para os seus próprios alicerces morais. Há vidas que, pela sua coerência, se tornam referências silenciosas; e há mortes que, pela sua injustiça ou pelo seu impacto, revelam mais sobre os vivos do que sobre quem partiu. Nandó pertence a essa categoria rara de homens cuja biografia fala mais alto do que qualquer narrativa construída à pressa.
Nandó foi, antes de tudo, um homem de Angola. A sua trajetória política e cívica foi marcada por uma postura firme de defesa da soberania, da estabilidade e da integridade nacional. Nunca precisou de estridência para afirmar convicções. Nunca precisou de ruptura para demonstrar coragem. A sua presença constante — discreta, mas sólida — foi sempre orientada por um princípio simples: Angola acima de tudo, Angola antes de tudo.
Ao longo dos anos, manteve uma relação institucional de respeito com o Presidente da República. Nunca se pronunciou contra ele, nunca alimentou divisões, nunca se prestou a jogos de facção. A sua lealdade não era servil; era patriótica. Era a lealdade de quem entende que a construção do Estado exige maturidade, prudência e sentido de responsabilidade.
É precisamente por essa coerência que hoje se tenta transformar Nandó num símbolo que ele nunca foi. Há quem procure instrumentalizar a sua morte para fabricar uma oposição que ele nunca encarnou, para insinuar tensões que nunca existiram, para projetar sobre o seu nome uma agenda que não lhe pertence.
Essa tentativa de o converter num ícone de antagonismo ao Presidente da República é não apenas falsa, mas profundamente desrespeitosa. Desrespeitosa para com a verdade histórica, desrespeitosa para com a sua memória, desrespeitosa para com a própria Angola. A morte de um homem íntegro não pode ser usada como palco para disputas políticas que ele jamais legitimou.
É preciso dizê-lo com clareza: Nandó não foi símbolo de oposição ao Presidente. Foi símbolo de compromisso com Angola. Tudo o resto é manipulação.
Num país que ainda consolida as suas instituições, a ética da memória é um dever. Honrar Nandó significa recusar o aproveitamento político daquilo que nunca existiu. Significa proteger a verdade da erosão das conveniências. Significa impedir que a morte de um patriota seja usada como arma de arremesso.
A melhor homenagem que Angola lhe pode prestar é esta: preservar o homem real, não o símbolo fabricado.
Nandó parte, mas deixa um legado de sobriedade, de compromisso e de patriotismo. Que a sua memória inspire responsabilidade. Que o seu nome não seja distorcido. Que a sua alma descanse em paz, longe das disputas que nunca foram suas.
