“Quinze minutos antes de morrer, ele ainda estava vivo”. 

Sabia o que me esperava depois do meu artigo de ontem, foi um ápice do aliciamento às ameaças, uma multiplicidade de rótulos, soltaram o vernáculo. Ri-me porque o medo deles não me assusta, afirmei a minha convicção de ter colocado o dedo na ferida, a carapuça serviu e destapou o manto da maldade e expôs a ignorância e leviandade que fragiliza a teia que se sente acossada porque empoleira-se nos chavões vazios dos vendedores da banha da cobra.

Quando em meados dos anos 80 do século passado, mandatado por Oliver Reginald Tambo, em Nova York e depois em Mells Park House, nos arredores de Londres, Thabo Mvuyelwa Mbeki e o professor renomado Pieter de Lange, mandatado pelos Serviços de Inteligência da África do Sul, encetaram negociações para a libertação de Nelson Mandela “Madiba”, chegaram a estar bloqueadas por uma exigência inegociável do ANC, um governo liderado por um Negro, seguindo a linha de todas as emancipações africanas.

Pieter Willem Botha, e depois Frederik Willem de Klerk, já com Nelson Mandela “Madiba” em prisão domiciliária, colocaram a hipótese de ser um distinto cidadãos indiano a fazer a transição. Oliver Tambo recusou até à sua morte e Mandela nunca cedeu. Entretanto Thabo Mbeki, perde o filho numa explosão em Lusaka, foi o acontecimento que o aproximou de Pieter de Lange, afrikaner, que gerou uma confiança e amizade que mais tarde viria a ser seu chefe de gabinete quando ascendeu à presidência da África do Sul.

Entretanto, é em Londres, já com a presença do jornalista irmão de Frederik de Klerk, que fazem o Acordo que libertou Nelson Mandela “Madiba”. Pouca gente sabe, mas está plasmado na Constituição da África do Sul, que o Presidente da República será um Negro, e só pode ser alterado este preceito com maioria qualificada de dois terços.

Segundo declarações de Patrice Lumumba, “não é vingança nem incentivo ao racismo, mas levará um século para que África possa dar lugar uma liderança que não seja Negra, é um fator de Identidade e de Afirmação da liberdade conquistada”.

A inoportuna e inócua afirmação de candidatura de Higino Carneiro e Carolina Cerqueira, revela apenas uma ideia desestabilizadora para tentar fragilizar o MPLA, nenhum mestiço, por muito mérito que tenha, e há, jamais vencerá uma eleição presidencial em Angola, não é racismo, eu sou filho de portugueses, tenho nacionalidade portuguesa, nasci no Ucuma, Huambo, sinto-me angolano como qualquer outro, mas carrego o estigma de um esmagamento de uma identidade cultural de Povos durante 500 anos, há exigências que não necessitam ser Lei, é a ética, moral, licitude, e como se diz desde do ano de 1504, “La Palice”.

A Negritude é um mistério insondável, transcende a banalidade, é um elemento que carrega a força, o peso, de uma herança de almas sofridas que atravessaram gerações, quem comeu pirão de pala pala com peixe seco e lomby, quem nunca se cansou de escutar as estórias das memórias cobertas de cabelo branco, quem caçou com zagaia e pecou com caniço, e viveu desde a fisga até à rebita, sente o pulsar silencioso da vontade coletiva de um Povo, são eles a alma da Nação angolana.

Jamais poderemos aceitar que a Cidade Alta se transforme num antro de orgias com meretrizes encartadas de Paris, que o Rui Legot metia nos voos da TAP, via Lisboa, em executiva, e regressavam com envelopes volumosos de dólares de Higino Carneiro e José Eduardo dos Santos. Todos os Serviços de Inteligência do mundo civilizado têm isto catalogado. É isto que querem repetir? Dinheiro não falta, mas falta-lhe o Poder, nas mãos deles ou na rua.

Já me faltam forças, mas quem me conhece, muitos mesmo que hoje me açoitam, sabem que até ao último suspiro não me vou calar enquanto sentir discernimento de vislumbrar a verdade e a razão. O bacharel tirano psicopata, mais que intrujão, ACJ “Betinho” de Quingenge, a nova coqueluche Irina Diniz, Higino Carneiro e a sua boémia, com a proscrita Carolina Cerqueira, jamais serão governo em Angola, em democracia e liberdade, os cidadãos não vão permitir retroceder um País que está com um rumo, com um crescimento sustentado, e com estabilidade e Ordem Pública, que levar-nos-á, seguramente, a uma Nova República.