Processo Revolucionário em Curso é um conceito constante de uma pseudo-elite que demarcou Angola como a sua coutada, explorou, roubou, foi afastada pela vontade expressa no voto popular livre e democrático, e naufragou num inconformismo revanchista.
Esta seita fundamentalista das mordomias suplantou a subversiva oposição permanente da UNITA, perante a confirmada incapacidade desta, assumiu claramente uma frente apostada num retrocesso histórico sem noção das consequências de tamanha leviandade.
Numa conferência das Nações Unidas em Geneve, nos anos 80 do séc. XX, cruzei-me com o saudoso Paulo Jorge. Em amena e respeitável cavaqueira, como angolanos politicamente opostos, afirmar-me-ia ele, então, ser Lopo do Nascimento um mentiroso compulsivo e de ser o político do MPLA mais alienado ao poder colonial. Não há muitos anos, em Malanje, num encontro com estudantes, desenvolveu um rol de mentiras que subverteram a própria verdade histórica em busca de protagonismo pessoal.
Vasco Vieira de Almeida, ministro da Economia do governo de transição resultante do Acordo do Alvor, afirmou que Lopo do Nascimento não tinha qualquer competência para dirigir o Conselho de Ministros, recorria frequentemente a Manuel Rui Monteiro, então ministro da informação e turismo ou a Diógenes Boavida, ministro da justiça.
É esta gente que demonstrou total incapacidade de governar até 2017, que é responsável pelo descalabro de um facilitismo ignorante, para a seu bel prazer, instalar a corrupção impune que desgraçou a Nação angolana depois da derrota militar da UNITA e da conquista da Paz.
A bicefalia que hoje vem a público condenar pela covardia de confrontar com argumentos João Manuel Gonçalves Lourenço, no próximo Congresso do MPLA, é a mesma que José Eduardo dos Santos impôs ao Partido que levou à eleição do Senhor Presidente da República, só que contingência diversas levaram-no a abdicar, como por exemplo o ónus dos enriquecimentos ilícitos dos seus próximos e familiares, onde se incluem os novos arautos da seriedade como Lopo do Nascimento, Higino Carneiro ou Dino Matrosse.
As dificuldades aguçam a memória, o sofrimento perpetua a verdade e a razão, só a falta de vergonha e de senso do ridículo, pode mover uma ideia de protagonizar a repetição de tamanha desgraça, a verticalidade e transparência aconselharia recolhimento, a meu ver, até para o arrependimento já é tarde demais.
Angola já não quer interrupções, deseja continuidade, nunca como hoje o País teve um rumo, um propósito, há avanços irreversíveis, a democracia garante a liberdade mas também implementou mecanismos de defesa da institucionalização e Ordem Pública, o núcleo da Chefia do Estado está estabilizado, o Estado Democrático de Direito está consolidado, o desenvolvimento em todas as suas vertentes, na valorização da terra e dignificação do homem vai fazendo o seu percurso consoante a disponibilidade material e crescimento de quadros qualificados, já não há espaço para hipotecar o futuro nem para aventuras, há poucos com receio, mas há muitos, muitos mesmo com vontade de viver os novos amanhãs da Nova República.