Está a escrever-se a história, há protagonistas vivos que carregam páginas tristes, a sem surpresa está a diluir-se o medo que durante tantos anos silenciou as feridas vivas que pareciam cicatrizadas, mas que, a liberdade conquistada vai fazendo emergir as dores que está cravadas na alma e estão nas prateleiras da memória.
Não passaram muitos dias, mesmo constrangida pelas habituais consequências, a vice-presidente da UNITA, Arlete Chimbinda, confirmou ter presenciado “in loco” a fúria assassina de Jonas Malheiro Savimbi, embriagado e endoidecido, a jogar mulheres e crianças para as fogueiras festivas na Jamba. Não há contexto histórico que possa branquear estes crimes identificadores de uma personalidade sinistra que ambicionou governar uma Nação com um primitivismo selvagem.
Mas não é só, toda a mulher, solteira ou casada com dirigentes da sua cúpula, filhas de gente respeitosa que nunca se vergaram nem ao colonialismo, todas elas que recusaram ir para cama saciar os desejos sexuais do tirano, estavam condenadas a todo tipo de sevícias. A lista é extensa, tenho amigas que ainda hoje, à volta de uma Moamba com Pirão, partilham a dor que lhes vai na alma, bem como é extensa, as meninas privilegiadas que de uma maneira ou outra demonstravam as mordomias de terem cedido ao capricho do psicopata.
Porque a Tribuna de Angola quer também fazer história, publicamos hoje “com a devida vénia”, o desabafo público de Alice Chingunji, que viveu esta loucura que perdurou por tanto tempo e que tantas vidas ceifou.
Também há dúvidas mesmo no seio do Galo Negro. O que anda a fazer Kamalata Numa a reagrupar ex-combatentes, com patentes assumidas, acionando a componente militar? Mercenários? Revolucionários? Guarda Real monárquica? Há sinais preocupantes que podem gerar instabilidade, devem merecer observação estreita das autoridade de Ordem Pública, o desespero revela-se com várias facetas, não se pode descurar a vertente clandestina da UNITA, nunca desmobilizada e parte dela acantonada.
Também o líder subserviente, bacharel tirano psicopata, mais que intrujão ACJ “Betinho” de Quinjenge, que com fundos recebidos da Fundação Konrad Adenauer, vai cedendo meios para iniciativas da JURA, onde colocou Nelito Ekuikui, para manter a distração da tal Aliança Patriótica, ou Pacto de Estabilidade, que por ausência de credibilidade não passam de atoardas sem resposta.
Hoje mesmo, falei com a minha grande amiga Maria Reina Martin, presidente da FIDESTRA e directora do EZA, e vice presidente da Fundação Konrad Adenauer, que me confidenciou tratar-se de uma cedência a um “lobby” liderado pela FTDC – Federação dos Trabalhadores Democratas Cristãos, sedeada e pertencente ao CDS, onde milita Paula Roque. Infelizmente, constatei em conversa com o dirigente da FTDC, Prf. Dr. Isaías Gonçalves Afonso, que todos estes assuntos são determinados por gente que não conhece Angola, privilegiam a sensibilidade partidária, e envolvem-se em mentiras de há 30 ou 40 anos, colando o MPLA ao marxismo militarista, que a UNITA tem sabido explorar. Estranho é o facto de ser público, e a embaixada de Angola em Berlim, ainda não ter agido junto da Fundação em Bona, na Alemanha.
Vivemos um tempo de afirmação do espectro político partidário, é uma imperativo da democracia, é hora de clarificação e transparência, a Nação angolana exige responsabilidade, chega de obscurecer e até ocultar intenções com vitimizações, é para todos, estamos na rota do futuro, o mundo está cada vez mais com os olhos em África, só unidos nas nossas diferenças mas com lealdade, podemos dar estatuto à cidadania para que seja portadora da dignidade e integridade nacional, é este o desígnio da governação, é este o alvo da Nova República.
Verdades e Dúvidas

