Polvo ou Serpente?

ByKuma

22 de Abril, 2026

Ontem um docente da universidade Agostinho Neto, meu conterrâneo do Ukuma, leitor assíduo da Tribuna de Angola, contactou-me porque das sete cabeças da serpente havia uma que faltava, não menos malévola que todas as outras, embora vacilante consoante a oportunidade, mas sempre disponível para a servidão maldosa e mercenária. Pus-me a adivinhar, e entre aquelas que expelem veneno invariavelmente, atirei nomes como Paula Roque, Helder Preza, David Boio, mas ele disse-me logo que não era alguém insignificante, tratava-se de alguém licenciado nas praias do Mussulo na faculdade da maledicência.
Quem seria que me tinha escapado no desfile ruidoso entre as cheias de Benguela e a visita do Sumo Pontífice Leão XIV? Tratava-se de Rosado de Carvalho.
E tratando-se de mitologia, entre o profano e o religioso bíblico, mesmo a calhar para os dias em que a religiosidade atingiu o esplendor da alma e o perdão dos pecados, a conversa terminou com a dívida de qual bicho se adaptava mais às circunstâncias por mim suscitadas. Serpente ou Polvo?
Eis a diferença que deixo ao entendimento dos nossos leitores:
POLVO; O polvo possui 9 cérebros e 8 tentáculos (ou braços). Existe um cérebro central principal, enquanto os outros oito funcionam como “mini cérebros” localizados em cada tentáculo, permitindo que cada braço aja de forma independente. Eles também têm 3 corações.
SERPENTE; A serpente ou besta de sete cabeças é um símbolo mitológico e religioso milenar, representando frequentemente o mal, o caos, ou problemas difíceis de resolver (a expressão “bicho de sete cabeças”). Ela aparece na Bíblia (Apocalipse), na mitologia grega (Hidra de Lerna) e na tradição hindu (Sheshnaga).
Em Portugal, existe a lenda da “Bicha das Sete Cabeças” em Moreira de Rei, zona de Fafe, associada a uma criatura que aterrorizava a população.
Creio que cedi ao conhecimento do meu amigo e conterrâneo, proeminente figura da UNITA, qualificado intelectual, e o molusco marinho da classe Cephalopoda, talvez retrate melhor a engrenagem da UNITA, embora seja insultuosa a ofensa à inteligência do molusco.
Rosado de Carvalho, quando está sóbrio até consegue ter algum discernimento, mas publicamente são momentos raros, e nesses lapsos de tempo até sabe e diz, que a capacidade do Estado é limitada, não fabrica dinheiro, há regras que os ignorantes desconhecem, para esses até já podíamos ter cinquenta Dubai e Qatar em Angola, mas não foi essa a mensagem Papal, a honestidade e compreensão diz-nos que os recados mais significativos foram para a própria plêiade pastoral. Leão XIV, com a clareza de Cristo, incumbiu bispos, sacerdotes, leigos, e todos os missionários católicos, fossem capaz de interiorizar o exemplo do Redentor, saíssem da sua zona de conforto, renunciassem às mordomias, e pregassem o amor, a crença e a Paz nas periferias onde proliferam os mais humildes e necessitados.
O que aconteceu em Benguela, por muito que fosse aplaudido por mentes doentias como a de Graça Campos, foi um capricho da natureza mais forte que o dinheiro, poderia ser amenizado por técnicos qualificados, mas João Lourenço é humano, não é um milagreiro e muito menos bombeiro para socorrer a todas as falhas de 40 anos em 9 anos de mandato. É uma desonestidade intelectual e política e uma crueldade cívica, empurrar para o Senhor Presidente da República a responsabilidade do que não foi feito em tempo de vacas gordas, e que muitos dos críticos alienados de hoje, partilharam o nos banquetes da desgraça.
É para separar águas inquinadas e de um leite que se vai despoluindo, que a cidadania, na sua silenciosa sabedoria, carrega o peso do sofrimento causado pelos abutres que teimam em alcateia assaltar de novo a despensa, mas com suor e esperança e muita Fé em Nossa Senhora da Múxima e na transformação que está a ser encetada no Estado, irá festejar em 2027 uma Nova República.