Em todos os países desenvolvidos ou em vias de desenvolvimento, moderno, exigente, caracterizado por uma economia de mercado, o papel da Banca é relevante porque tem a obrigação de intervir no desenvolvimento do País.
O mercado de capitais é, também, uma ciência social, e em todo o mundo moderno a Banca tem uma fatia generosa de capital de risco, Angola é um mercado propício para essa alavancagem, hoje denominadas de Startups. Aposta-se na inovação, captam-se quadros jovens qualificados, promovem-se sociedades modernas nas mais diversas áreas, é motivador e gratificante para a própria Banca, e ajuda a fixar quadros locais, valorizando a terra e dignificando o homem.
No mundo em constante transformação, a nossa Banca em Angola tem sido uma praga no desenvolvimento, aplica-se no crédito ao consumo, tem sido um instrumento canalizador de moedas estrangeiras para um mercado obscuro e rentável, e vive ainda dependente do Estado, não tem dinamismo próprio visível no incentivo aos novos licenciados descapitalizados.
Acresce que Angola tem quadros na diáspora que seriam fundamentais para um novo impulso na nossa economia, só que captaram dinâmicas que não as encontram em no nosso País, e hesitam no seu regresso às suas terras, por ausência de oportunidades no mercado de capitais.
Nem tudo pode depender do Governo, o licenciamento da concessão de exploração de um banco, tem como prioridade o apoio ao desenvolvimento, podem até criar Fundos de Investimento, direcionados para apoios sectoriais locais, promovendo colóquios, conferências, debates, elencando prioridades.
Temos na Diáspora gente altamente qualificada, seria fundamental que uma associação de bancos criassem um Fundo de Apoio ao regresso e instalação de cidadãos nacionais até aos 45 anos, onde até poder-se-ia apoiar uma parte do capital na criação de empresas, havendo um risco partilhado, com valores escalonados e consoante o sector de investimento.
É necessário inovar, desenvolver, pesquisar, aproveitar as potencialidades inexploradas, recuperar património industrial, é um factor de crescimento dos próprios bancos. Haja transparência, exigência, premiar os mais ousados através de incentivos fiscais, criar na obrigação uma concorrência saudável geradora de mudanças de comportamentos, é uma vertente que pode e deve ser regulada e fiscalizada.
Angola abriu as portas ao mundo, e o mundo paulatinamente está a chegar a Angola, os que tanto criticaram a vinda de Messi, do Will Smith, do Sumo Pontífice, deviam agora exigir aos que se capitalizaram à custa do Erário Público, que invistam nas suas terras, no turismo e toda a cadeia de serviços associados, a natureza, os desportos ao ar livre e no mar. Explorar industrialmente a Toqueia e o Bagre no Moxico, o arroz no Bié, o mel, a lossaka, o quiabo, o loengo, o sape sape, o maboque, etc. O Quénia, Senegal e Costa do Marfim, exportam diariamente por avião, toneladas de hortelã produzidas em águas puras e xandala “aloe vera”, para a indústria farmacêutica. Artesanato, mobílias em madeiras nobres, temos minas de talco no Huambo, de sal gema no Cuanza Sul, de mercúrio no Moxico, enfim riquezas imensas desaproveitadas que podiam e deveriam ser exploradas por angolanos, e que é impossível caber apenas ao Governo a sua concretização.
É a Banca Nacional que tem nas mãos uma mina de retorno futuro, tem de ter visão, tem de haver harmonia no crescimento conjunto da banca e do cidadão, é essa a função, é essa vontade que pode diferenciar a escolha de quem vai adiante ou que fica para trás.
Haja coragem. Haja visão. Haja brio na realização. Haja neste sector, como tem havido na governação, um impulso de transformação, criação, enraizamento identitário da cidadania, não deixem que venham de fora ocupar o espaço que está nas vossas mãos. Angola já não pode parar, não vai parar, quem não deu conta ainda, vai ficar agarrado ao passado, porque será inevitável a Nova República.
O Prometido é Devido

