Foi só Sachipengo Nunda? Quem querem branquear agora? Jonas Savimbi sabia que Nunda era o militar mais culto que tinha nas suas fileiras, como sabia que militarmente sabia que Demóstenes Chilingutila e Batista Chindande (black powel), eram os melhores entre os vivos. Não escondia a ninguém, disto dava conta a vários contactos que tinha, entre eles, Manuel Monteiro, do CDS, general Tomé Pinto, e Chester Crocker.
Também sabia, falou comigo em Paris, no Hotel Royal Monceau, na sua última deslocação à Europa, que estava a ser traído dentro do seu núcleo mais próximo. Além do mais, é sabido, o mesmo helicóptero que do Huambo transportou Numa na sua fuga, houve um atraso de 30 minutos à espera de Chilingutila, que chegou demasiado tarde e perdeu a viagem. Eram compadres e amigos chegados.
Quem se beneficiou mais com a morte de Jonas Savimbi? Primeiro Angola porque abriu o caminho da Paz. Mas na UNITA, além de kamalata Numa, que fazia parte da comitiva de Savimbi, e no momento do ataque ausentou-se para ouvir o relato do Sporting de Portugal, e de Lukamba “Miau” Gato, que auto promoveu-se a líder e inquisidor, que em tão pouco tempo comandou tanta maldade, que se instalou em Luanda e nunca venceu uma eleição no Partido, as bases conhecem-no e sabem o que fez. Se dúvidas houvesse, os filhos do fundador do Galo Negro, nem um alfinete recebram como herança, nem dinheiro, nem diamantes, nem contas bancárias, zero vezes zero.
A UNITA e toda a estrutura que transitou da Jamba para Luanda, estremece quando alguém diz a verdade, eu sei quanto custa, sinto na pele diariamente, mas a brigada subversiva licenciada em vitimização, reage em uníssono mas sem provas palpáveis que desmintam o que a história, a seu tempo, irá narrar muito do que é sabido e compromete ainda muita gente no reino dos vivos.
Sachipengo Nunda, leu e releu muitos romances de guerra, era um vício que tinha, não foi por acaso que escolheu o seu percurso, é um homem com um espírito invulgar na UNITA, disso mesmo deu provas, enquanto CEMGFA, nunca negou auxílio nos momentos em que foi preciso, disponibilizou aviões, participou em momentos de aflição, eu mesmo, estava a almoçar em casa do Lukamba “Miau” Gato, e ouvi um telefonema em que solicitou um transporte para Cabinda, de um defunto, e imediatamente Nunda disponibilizou.
A juventude dos meninos do Huambo, colegiais privilegiados da Mocidade Portuguesa, sempre foram ambiciosos, eram os “calcinhas” invejosos, havia uma elite da Nova York, militarmente predominava Waldemar Chindondo, autor das FALA, politicamente era Jorge Valentim, o imperador do Lobito, e tecnicamente pontificava Jeremias Chitunda, um engenheiro de alto gabarito.
A UNITA empobreceu tanto, que ficou enferrujada, prisioneira da família déspota, ela mesma em desagregação porque há dirigentes em colisão frontal, Adriano Sapiñala, filho de Samuel Chiwale, já mostrou ambição de ir mais longe, e conta já com a vedeta de momento, Irina Diniz, a Mira, filha do proscrito do MPLA, Raúl Diniz, que não esconde no espaço que conquista dentro do Galo Negro.
Nunda também criou anticorpos que geram algum mal estar, não porque tenha desertado da UNITA, mas porque também se meteu em negócios de licitude duvidosa, mesmo no seio das Forças Armadas há olhares nada abonatórios de alguns comportamentos seus. Mesmo como embaixador em Londres, andou por caminhos ínvios que em nada dignificam a sua experiência diplomática.
A UNITA, salvo raríssimas excepções, é uma anatomia de uma tragédia que se renova sempre inquinada, hoje mesmo, o monarca Mbundo, reizinho Lukamba 1º (o lavrador), fala do estágio de Angola em 1974, caminhos de ferro, barragens, redes de distribuição de energia, silos, ícones da herança colonial que a UNITA destruiu e sabotou, basta recorrer aos ditos de Savimbi aos órgãos de comunicação social, como a Voz da América, Rádio France Internationale, Lusa, etc. A memória coletiva é silenciosa, mas estende-se geracionalmente, os cidadãos sabem quanto lhe doeu as agruras de violações, jovens mães precoces abandonadas, fuzilamentos, roubos, medo, pavor, ansiedade, stress, e abandono completo em nome das mordomias iluminadas da urbanidade da capital. A cada cinco anos, os cidadãos dão expressão às suas escolhas, sabem de onde vieram, onde estão, para onde querem ir, já não aceitam recomeços nem retrocessos, alimentam a esperança de liberdade, democracia, desenvolvimento, autoridade, segurança, elementos fundamentais na Nova República

