Esta noite reuni com uma ancestral tertúlia que marcava encontro uma vez por ano há 50 anos, nós, os juvenis de então, escutava-mos as histórias lúcidas ao almoço em Benguela no bar do Ferreira, e ao jantar, já benzida pela Cuca, pelo vinho e whiskey SBELL com soda, na marisqueira da Catumbela, o Ernesto Lara Filho, o Dr. Orlando de Albuquerque, o Nuno de Menezes do Cavaco, que conhecia todas as masmorras da PIDE/DGS, e o Anastácio, metodista, tio do Jorge Sangumba.Infelizmente, dos juvenis já somos poucos os que restam, o Vítor do Bocoio está em Nova York, o Antonino do Lobito está em Espinho, o Elísio do Cubal está no Sudão, o Sabino da Ganda estã no Lubango, e u do Ucuma estou em Benguela, são os dedos de uma mão, carecas e enrugados, barrigudos, mas com a memória lúcida e lembranças que estremecem.
Brindamos com Cuca no quintal do Guerra, entre críticas e elogios, até crítica à crítica, e já na hora do SBELL, chegamos à crítica da crítica à crítica. Aí contagiou a saudade, não dos tempos de então que tanto combatemos, mas porque hoje banalizou-se a crítica, evaporou-se o respeito, falta aguçar os sentidos, há uma crise profunda de valores e conhecimento por parte de quem tem a responsabilidade de querer fazer-se ouvir na opinião pública, há um défice de intelectualidade na política, mas não é só em Angola, vivemos a universalidade dos avençados em busca de benesses, e se antigamente faltava liberdade, hoje necessitamos com urgência de uma democracia mais musculada.Constata-se que os angolanos das duas últimas gerações, 60% da cidadania ativa, não conhece Angola, vive numa persistente dúvida sobre percursos sobressaltados da trajetória pós Independência, passamos em 9 anos de um nacionalismo acorrentado para um patriotismo intuitivo, a cidadania emerge de um sentimento novo de posse, já ninguém escolhe mais Luanda, há um rol de oportunidades em todo território, há cada vez mais qualidade de vida nas províncias, há cada vez menos medo de arriscar, é este o sentimento que se conquista para que o desenvolvimento ocupe o seu espaço e a sua vez.Podemos ignorar o novo Aeroporto?
Podemos ficar indiferentes aos canais caudalosos do Cunene que saciam a sede do gado, e já irrigam terras produtivas outrora desérticas? Podemos esquecer que se faz hemodiálise no País? cirurgias oftalmológicas em Benguela ao nível do primeiro mundo? Podemos passar ao lado de cirurgias cardiovasculares na Lunda? Há a ideia do crescimento da produção agroindustrial e pescas na vigência da dinâmica consular de João Manuel Gonçalves Lourenço?Num momento de descontração dedicados ao lirismo e comédia, houve gargalhadas, por acaso estava postada no dia uma foto da nova coqueluche da UNITA, Irina Diniz, na passerelle desfilando roupa colorida cintada, cabelo não sei de quem, escondendo o cérebro oco com o efeito de uma coroa não se de que reino. Alguém disse: Porra, foge que é de Malange. Quando surgiam melgas na Rebita, a senha era, foge que é de Malange ou de Cabinda. Há algo preocupantemente revelador, basta recuar no tempo, a UNITA tinha mais quadros e melhor qualificados no Alvor, tanto políticos como militares, do que tem hoje, à excepção de Alcides Sakala, ninguém hoje no Galo Negro tem a capacidade intectual de Jerónimo Wanga, Jorge Valentim, António Vakulukuta, Armando Chilala, Jorge Sangumba, Jaka Jamba, ou militares capazes como Waldemar Chindondo, Samuel Sachiambo, Demostenes Chilingutila. Há hoje uma nova imagem de Angola no mundo, está aréola conquista nos últimos 9 anos, conferem credibilidade, desanuviou paulatinamente a densa ideia de uma Nação corrupta e sem rumo, temos Paz e liberdade, mas infelizmente há gente irreconciliável, há na capital um manto ignóbil e oportunista em busca de arruaça para obscurecer as suas incapacidades e dúbios objetivos, e se é certo que João Manuel Gonçalves Lourenço irá continuar ao leme do MPLA, está a suscitar expectativa o futuro candidato presidencial,mas há poto o País a férrea vontade de preservar a Paz, a democracia e liberdade, dar continuidade ao rumo traçado pelo Senhor Presidente da República, e consolidar os Direitos, Liberdades e Garantias, base fundamental na evolução para a Nova República.

