Com base nos dados preliminares do IIAG 2026, relatório da Fundação Mo Ibrahim que analisa os esforços anticorrupção em África entre 2016 e 2025, Angola destaca-se como um dos países com os progressos mais significativos no combate à corrupção em África na última década (2016-2025) .
As principais referências a Angola no relatório revelam que teve a Grande Melhora Decenal: Angola integra o grupo dos cinco países que registaram as maiores melhorias na categoria de Combate à Corrupção entre 2016 e 2025, a par das Seicheles, Chade, Somália e Togo .
Em indicadores Específicos: Angola é um dos dois únicos países (juntamente com o Chade) a aparecer duas vezes no “top 10” de melhorias em indicadores individuais : Mecanismos de Combate à Corrupção (Anti-Corruption Mechanisms): Registou um aumento expressivo de +32.1 pontos nos últimos dez anos, atingindo uma pontuação de 35.7 em 2025 . Ausência de Corrupção no Setor Privado (Absence of Corruption in the Private Sector): Apresentou uma melhoria de +27.1 pontos, com uma pontuação de 45.9 em 2025 .
Angola surge, à luz dos dados preliminares do IIAG 2026, como um caso de reconhecimento internacional objetivo no domínio do combate à corrupção, acumulando uma década de avanços que a colocam entre os países africanos com maior evolução estrutural entre 2016 e 2025.
Este desempenho não resulta de perceções políticas internas, mas de métricas comparativas independentes, que posicionam Angola no grupo restrito dos cinco países africanos com maiores melhorias decenais — ao lado das Seicheles, Chade, Somália e Togo — reforçando a legitimidade externa das reformas empreendidas.
A classificação atual, 29.ª posição no ranking continental, com 37.0 pontos em 2025, traduz uma trajetória ascendente que, embora ainda distante dos patamares de excelência institucional, demonstra uma capacidade de transformação que rompe com a tendência histórica de estagnação.
Mais expressivo ainda é o facto de Angola ser um dos dois únicos países a figurar duas vezes no “top 10” de melhorias em indicadores específicos, sinal de que o progresso não é superficial, mas incide sobre pilares essenciais da integridade pública e privada.
Nos Mecanismos de Combate à Corrupção, o salto de +32.1 pontos ao longo da década — culminando numa pontuação de 35.7 em 2025 — evidencia o reforço das instituições de fiscalização, dos instrumentos legais e das capacidades de investigação.
Já na Ausência de Corrupção no Setor Privado, a melhoria de +27.1 pontos, atingindo 45.9 em 2025, revela um impacto mais amplo, com efeitos sobre o ambiente de negócios, a confiança dos investidores e a previsibilidade regulatória.
Contudo, este reconhecimento internacional vem acompanhado de um alerta claro: apesar dos ganhos acumulados, a tendência atual é de “Melhoria Lenta”.
Desde 2021, o ritmo de progresso abrandou, sugerindo que o impulso inicial das reformas perdeu intensidade. Em termos comparativos, isto significa que Angola melhorou muito — mas está a melhorar devagar.
É precisamente aqui que se torna imperativo voltar a acelerar o combate à corrupção.
O país já demonstrou capacidade de reforma, já obteve validação externa e já consolidou avanços mensuráveis.
O desafio agora é evitar que a trajetória ascendente se transforme num novo compasso de espera. Reforçar a coordenação institucional, aprofundar a transparência, consolidar mecanismos de responsabilização e ampliar o alcance das reformas ao nível local e setorial são passos decisivos para que Angola não apenas mantenha, mas amplifique o reconhecimento internacional conquistado.

