Não conheço o novo PGR, nem nunca tinha ouvido falar dele, e como eu, a maior parte dos angolanos.
A reacção da oposição à nomeação de Pedro Mendes de Carvalho para Procurador‑Geral da República revela mais sobre a própria oposição do que sobre o nomeado.
Há uma semana, praticamente ninguém mencionava o seu nome; hoje, multiplicam‑se análises apressadas, juízos morais instantâneos e tentativas de reescrever episódios do passado para justificar uma crítica que, na verdade, já estava decidida antes de qualquer avaliação séria.
Esta atitude demonstra uma tendência preocupante: a oposição prefere a ruptura revolucionária à reforma evolucionária, prefere o ruído ao rigor, prefere a suspeita automática ao exame ponderado.
É impossível exigir que um novo PGR, acabado de tomar posse, apresente resultados imediatos ou demonstre, em poucos dias, a totalidade da sua visão institucional.
A justiça não é um espectáculo de velocidade; é um trabalho de continuidade, método e responsabilidade.
Começar a dizer mal antes de o homem sequer aquecer a cadeira é, no mínimo, uma falta de sentido de Estado.
E, no máximo, uma prova de que certos sectores não procuram soluções, mas sim pretextos.
A invocação selectiva de episódios passados, como o caso “15+2”, serve apenas para alimentar narrativas de desconfiança. Ninguém nega que a história pesa, mas também ninguém pode negar que as pessoas evoluem, amadurecem e se transformam. Exigir que um magistrado seja eternamente prisioneiro de um momento específico é negar a própria lógica institucional da justiça.
O que verdadeiramente transparece é que a oposição não está preparada para governar.
Quem não consegue avaliar com serenidade uma nomeação, quem reage por reflexo e não por análise, quem confunde crítica com destruição, dificilmente demonstrará capacidade para liderar um país.
Pedro Mendes de Carvalho merece tempo, observação e escrutínio responsável — não ataques instantâneos de quem confunde política com agitação.
No final, a questão é simples: quem quer construir não começa por demolir.

