O fim (será que é mesmo?) do bem carismático programa ‘Conversas no Quintal’, deixou um vazio em todos nós angolanos que gostávamos de dar umas boas gargalhadas, esquecendo, pelo menos por uns momentos as dificuldades e a correria do dia a dia.

Mas, qual a razão para tal nostalgia? Primeiro, porque muitas das vezes, e isso não é exclusivo de Angola, o humor está cada vez mais associado ao palavrão e vulgaridade, ultrapassando todos os ditames da boa educação. O bom humor, aquele que nos faz dar uma gargalhada fácil não necessita de palavrões constantes ou parvoíces desrespeitosas para uma determinada pessoa ou situação.

O segundo motivo, deve-se a uma recente entrevista (programa “Diálogo Cultural”) protagonizada pelo actor e humorista Luís Kifas, o Sidónio das ‘Conversas no Quintal’, que aproveitou a ocasião para relembrar o fim desse programa. O actor, começou por recordar a sua passagem em grupos teatrais como Horizonte Njinga Mbandi e Julu, e falou a respeito da baixa audiência na última temporada da série ‘Conversas no Quintal’, na qual trabalhou ao lado da esposa, Josefina Santos, que era a Lembinha.

“As pessoas estão habituadas a determinados personagens e de repente alteram o figurino e são introduzidos outros personagens, não serei eu a criticar ou deixar de criticar acho que o público tem uma outra visão. Tivemos algumas reuniões e a televisão também estava preocupada com o índice de audiência, porque houve uma altura que estava a baixar, fizemos algumas reuniões para analisar o que é que de facto estava a acontecer. Habituamos o público durante muito tempo creio que 14 ou 15 anos, com personagens que mexeram com a população, então as vezes as substituições não vão de acordo com o que o público espera. Eu acho que a reação do público é uma reação normal, o público quer cada vez mais e a nossa missão é agradá-los, satisfazer as suas vontades” disse.

O eterno Sidónio, falou ainda sobre a falta que o ‘Conversas no Quintal’ faz para o público e reiterou ter deixado um vazio para a grelha da Televisão Pública de Angola.

“Conversamos sobre isso e fomos gravando na medida do possível até que chega altura que o projecto termina. Encarei como algo normal, a televisão é livre, contratou-nos para em determinado período fazermos as nossas representações, chegou altura em que nos disseram que por enquanto vamos parar por aqui e encara-se com normalidade, porque você não tem outra saída, a televisão é que manda. Mas dizer que criaram um grande vazio na grelha da televisão, hoje a televisão não tem um programa de entretenimento e as pessoas em função deste vazio que existe na grelha, vão pedindo o regresso do programa”, sublinhou o humorista.

E, de facto tem razão; o humor mais puro e simples deve voltar e isso é urgente. Com 35 anos de carreira, o artista é possuidor de diversas distinções no ramo do teatro, já se distinguiu também em programas de rádio e televisão, sendo um dos actores mais mediáticos do seriado “Conversas no Quintal”.