O escritor José Eduardo Agualusa esteve presente no passado fim de semana, no Hotel Globo, em Luanda, onde teve a oportunidade de partilhar ideias e conselhos com vários escritores e leitores da sua obra.

Numa conversa bem longa e animada, Agualusa respondeu às perguntas formuladas por diversas figuras da assistência, desde leitores vorazes da sua obra, críticos literários, editores, académicos e jornalistas que marcaram presença no evento.

Agualusa não apenas se debruçou sobre a sua obra, como também partilhou visões e momentos singulares do processo da sua produção literária. Segundo o autor, as suas obras estão indissociavelmente contaminadas pela poesia, e, entre muitos conselhos, pediu aos jovens escritores para estarem mais atentos ao mundo que os rodeia.

“Muitas vezes esses jovens escritores ainda não têm toda a estratégia da escrita, mas têm histórias para contar, o que acaba sendo mais importante. Têm histórias que precisam de ser contadas. Para os jovens escritores, aconselho que procurem histórias, porque escrever também implica ter as portas abertas, deixar que as histórias venham ter connosco”, sublinhou o escritor.

Um outro aspecto salientado pelo escritor é que a cultura de leitura é um caminho indispensável para quem quer ser escritor. Da sua experiência sobre a importância da leitura, partilha que os seus livros são razões para coleccionar outros livros de diversos saberes. 

“Ler é o caminho certo. É preciso ler muito, principalmente os clássicos mundiais da literatura. Só se é um escritor quando somos um bom leitor. Qualquer escritor é filho dos livros, e é lendo que se aprende a escrever, não há outra maneira”; este foi mais um dos conselhos proferidos.

No final da tertúlia, Irene Amosi, a organizadora do projecto “Da Palavra à Palavra”, congratulou-se por ter conseguido realizar tudo o que delineou para a edição inaugural de um projecto que visa ser uma ponte entre escritores e o seu público.

“Nos apercebemos que o Agualusa estava em Angola e queríamos arranjar uma forma de aproximá-lo aos seus leitores, e não esperávamos que isso ganhasse corpo. O evento foi traçado partindo da ideia de ter Agualusa como primeiro escritor convidado para o projecto”, afirmou. 

Fernando Carlos, escritor, actor e dramaturgo, foi o moderador do encontro. Para si, a experiência de Agualusa é das mais ricas da literatura angolana, considerando que é actualmente um dos escritores angolanos mais internacionais. “Foi muito mais do que um encontro. Não tenho dúvidas de que tivemos aqui uma masterclass. Conseguimos absorver conhecimentos que serão importantes no nosso ofício”, avaliou. Organizado pela escritora Irene Amosi, apoiada pela Kino Yetu, Art Sem Letra e Goethe Institut Angola, esta foi a edição inaugural de um evento que surge da necessidade de congregar a palavra do escritor e a do leitor sobre a sua obra