Muitas vezes, as nossas belezas e atrações são esquecidas ou relegadas para um plano secundário. Não são raras as ocasiões em que os que vêm de fora é que nos avivam a memória das vastas riquezas e belezas em que o nosso país é pródigo.

Na província de Malanje, as cataratas de Kalandula situam-se a apenas a 360 km de Luanda, uma das maiores belezas naturais de Angola e uma das maiores do Continente africano em termos de volume de água. Estas quedas de água estão localizadas no rio Lucala, o mais importante afluente do rio Kwanza, na bacia do Kwanza. Têm uma impressionante extensão de 410 metros e uma altura de 105, e são as segundas maiores de África, ficando atrás apenas das cataratas Victória, que se situam na fronteira entre a Zâmbia e o Zimbabué.

Eleita como uma das sete maravilhas de Angola, estas quedas de água, não tinham qualquer estrutura hoteleira de apoio desde 1974 devido à guerra civil. Contudo, esse cenário mudou há poucos anos, quando voltou a funcionar a emblemática pousada de Kalandula. Esta unidade hoteleira tem uma vista privilegiada sobre as cataratas e toda a paisagem envolvente, tendo-se tornado um dos pontos turísticos mais apaixonantes de Angola, para quem é um aficionado de turismo paisagístico.

A pousada, construída na década de 1950, foi ampliada para 37 quartos, dando emprego a cerca de 20 trabalhadores locais, após um processo de reabilitação que se prolongou por vários meses.

“Foi bastante, um bom bocado acima daquilo que nós tínhamos inicialmente previsto”, sublinhou na altura da reabertura Francisco Faísca, o responsável pela pousada sem querer adiantar o montante do investimento feito.

Embora a vertente turística seja por si só o cartão-postal de Kalandula e da sua pousada, a componente agrícola está também associada à mesma; sobretudo centrada na produção de cereais, como milho, soja e mandioca, dando emprego a cerca de 200 angolanos.

Todavia, o turismo faz-se essencialmente de nacionais e estrangeiros residentes em Angola. “Temos muitos turistas nacionais, mas também temos muitos turistas estrangeiros. Mas de estrangeiros que trabalham cá, é um turismo mais de trabalho do que vindo do exterior”, reconhece Francisco Faísca.

Seja como for nunca nos esqueçamos das riquezas que a natureza nos proporcionou!