Isabel dos Santos: a verdade dos factos

ByAnselmo Agostinho

7 de Junho, 2026

Isabel dos Santos, através da sua máquina de propaganda estrangeira, continua a tentar enganar o povo angolano.

Por isso, é importante repor a verdade dos factos, sem adjectivos, e de forma directa:

Primeiro facto:

A chamada “vitória” de Isabel dos Santos no recente incidente judicial em Lisboa não altera em nada o quadro substantivo dos factos.

O que ocorreu foi apenas um episódio lateral numa acção executiva, limitado à apreciação de requisitos técnicos para a desconsideração da personalidade jurídica colectiva.

Não houve qualquer pronúncia sobre responsabilidade criminal, nem sobre a origem dos fundos, nem sobre a legalidade das operações que permitiram à empresária assumir o controlo da EFACEC.

Trata‑se, portanto, de um episódio processual sem relevo para a compreensão do esquema global que envolveu recursos públicos angolanos.

Segundo facto:

O núcleo dos factos é conhecido e documentado.

Em Agosto de 2015, o Despacho Presidencial n.º 67/15 autorizou a Empresa Nacional de Distribuição de Electricidade (ENDE) a adquirir 40% do capital da Winterfell Industries, um veículo criado por Isabel dos Santos em Malta, sem actividade, estrutura ou substância económica.

Ao integrar a Winterfell, a ENDE — uma empresa pública angolana — passou a figurar como accionista de um veículo privado sediado num paraíso fiscal.

Esta presença estatal no capital da Winterfell funcionou como selo de legitimidade, permitindo ultrapassar barreiras de compliance relacionadas com corrupção, suborno e branqueamento de capitais, e abrindo caminho para a aquisição da EFACEC em Portugal.

Em Outubro de 2015, a Winterfell comprou 66,1% da EFACEC por 200 milhões de euros: 160 milhões resultantes de crédito bancário concedido por um consórcio de bancos portugueses, incluindo o BIC, e 40 milhões pagos directamente pela ENDE. Está comprovado que pelo menos 16 milhões de euros foram efectivamente pagos pela ENDE.

Além de financiar parte da compra, a ENDE serviu ainda de garante dos empréstimos, assumindo riscos financeiros que não beneficiavam o Estado angolano.

Na prática, fundos públicos foram utilizados para adquirir uma empresa estrangeira através de um veículo privado controlado por Isabel dos Santos.

Terceiro facto:

O resultado final é inequívoco. A ENDE desembolsou pelo menos 16 milhões de euros — e possivelmente até 40 milhões adicionais, conforme outras operações conexas — que foram apropriados pela estrutura da empresária e utilizados como se fossem recursos privados.

A operação permitiu a Isabel dos Santos controlar a EFACEC sem investir capital próprio significativo, recorrendo a fundos públicos angolanos e a crédito bancário garantido por uma empresa do Estado. Quando, anos mais tarde, a EFACEC foi nacionalizada pelo Estado português e posteriormente vendida, Angola não recuperou um único euro do investimento realizado.

O dinheiro público angolano desapareceu no interior do esquema, sem retorno financeiro, sem activos e sem qualquer benefício para o país.

Este é o facto essencial que nenhuma manobra processual, narrativa pública ou incidente lateral de Isabel dos Santos pode ocultar.