Era assim desde 1972, quando comecei. Já entendia antes, era prato da casa, mas foi nessa altura que vesti o camuflado e peguei na caixa da ferramenta. Houve vários momentos de mudança, eu mudei, paguei e estou a pagar caro, vivo com sucessivas ameaças, sinto-me envolto numa teia de medo, tenho provas em mensagens covardemente anónimas, mas tenho também algumas identificadas, nomeadamente várias da esposa de Lukamba “Miau” Gato, Felicidade “Dadinha” Paulo, documentadas.
Em leito hospitalar, recebi ontem a visita de um operacional de então, meu querido amigo António Saraiva “Toutinho”, ex-jogador do Recreativo da Caála, também oriundo do CSM da IAMA em Nova Lisboa (Huambo), também desligado militarmente em 1992, mas que como eu está na reforma.

Eu acabei no jornalismo, ele acabou na gestão de seguros, mas sempre atentos à política do nosso chão.
“Quando olhos nos olhos, no confronto limpo não temos argumentos para vencer, em tempos de extrema busca de sobrevivência, temos de recorrer a todas as formas de camuflagem e sabotagem para tentar surpreender na emboscada”. 
Já aqui dei conta várias vezes que há cumplicidades e similitudes enferrujadas que aproximam a cúpula dirigente da UNITA e a postura de Higino Carneiro.

Com as mesmas armas, a UNITA tenta desgastar e combater o Senhor Presidente da República, desvalorizar a instituição do Estado, Higino Carneiro usa para combater João Manuel Gonçalves Lourenço, e simultaneamente desvalorizar e desgastar o MPLA e os responsáveis da realização do Congresso Extraordinário Eletivo, a realizar em Dezembro de 2026.
As minhas suspeitas foram confirmadas pelo meu amigo “Toutinho” que está próximo dos incumbentes de Higino Carneiro, e a realidade começa a emergir tal e qual ao previsto. Tudo quanto suscite hipótese de subversão, insurreição ou anarquia, face à previsibilidade de uma estrondosa derrota, é amplificado com insinuações e intrigas para arrastar a situação para posições musculadas que originem espaço para a emboscada traiçoeira.
Isto é uma postura convergente com a UNITA na dinâmica de assalto ao Poder, a origem tática é a mesma, as oportunidades desviaram caminhos, mas veem à tona o compromisso com um passado que serviu a insaciabilidade de ambos e que João Manuel Gonçalves Lourenço, com determinação trancou impondo a probidade do Estado para anular o saque interminável.

Ainda assim, a vigência de Hélder Pita Grós na Procuradoria Geral da República, comprometeu e minou por incompetência, laxismo e cumplicidade, o que já se perdeu e muito do que poderá ser irrecuperável, acrescida de um sentimento público instalado de impunidade.
Em defesa da democracia, para garantir a liberdade e normalidade, e de haver espaço de exigência de transparência, Higino Carneiro colocou-se numa posição delicada por percepção ausência de ética, moral e dignidade política para ser possuidor de credibilidade para liderar o MPLA, com as responsabilidades inerentes à garantia de uma continuidade governativa inadiável, para não se fragilizar e dar espaço a aventureirismos.
Em 2017, Angola entrou num tempo novo, foi o início de um caminho com resultados inéditos, ao contrário dos falhanços de 1992, não adianta fantasiar monstros e fantasmas, a cidadania está cada vez mais informada, sabe diferenciar os caminhos do futuro e da dignidade identitária, que se consolida a cada dia da Nova República.