Angola vive cada vez com mais intensidade um PREC-Período Revolucionário em Curso, por diversos motivos políticos que revelam instabilidade, oportunismo, e dependências que contrariam a evolução e a identidade conquistada pela cidadania, que caminha para a consolidação da democracia e para a garantia da liberdade.
Estes dias recebi um amável e estranho convite para um repasto, e à volta de uma cabidela, foi-me crescendo a azia pelo desenrolar das palavras. Foi-me dito de antemão não ser suborno, mas poderiam haver retribuições consoante os serviços prestados, com um envelope (recusado) sem saber o que continha, dando, respeitosamente, como terminado o repasto com o senhor Margarido, gestor dos bens do de Higino Carneiro em São Tomé, uma antiga Roça de Cacau, adaptada para turismo.
Antes e durante a minha participação na Tribuna de Angola, sempre pautei pela verdade, investigada, comprovada, opinativa com base em factos, sempre com a perspetiva de servir e deixar um rasto digno do meu amor a Angola, chão da minha grande paixão.
Tenho em mim símbolos vivos das minhas memórias e vivências, Jomo Kenyatta, Leopold Senghor, Julius Nyerere, Amílcar Cabral, todos eles apologistas da Revolução da Negritude, como salvaguarda de uma identidade secular, sem complexos de racismo ou xenofobia, mas como exigência de crescimento, autoestima e independência dos Povos Africanos.
Este desiderato sensível da herança colonial, pode ser abreviado pelo crescimento de uma miscigenação geracional, não imposta de forma presunçosa de superioridade ou de capacidade financeira, acrescida de duvidosa proveniência. É sabido que temos hoje um conjunto de órgãos de comunicação, subsidiada por capitais especulativos, que têm fustigado João Lourenço, Fernando Miala, e agora Ana Dias Lourenço, e como resultado dessa servidão nasa voluntária, Angola confronta-se comaquulo que é negação do triunfo da Negritude na sua autodeterminação depois de árdua luta de libertação.
O MPLA foi em momentos decisivos defensor dessa vertente fundamental, resistiu a pressões intensas para que Lúcio Lara, o Che Guevara de Angola, substutuí-se Agostinho Neto após a sua morte, mas o caminho ainda não estava cumprido era contra qualquer conceito das independências africanas.
Hoje temos uma elite endinheirada capaz de financiar o hedonismo de uma seita que é insaciável ao Poder, e desafia em entendimento cada vez mais evidente, o normal fluir do crescimento e consolidação da Negritude, basta estar atento e observar as nuances.
Não se combatem entre si, insinuam alianças, partilham fundos, e têm similitudes que não emergem por acaso. O líder da UNITA é mestiço, vem de nacionalidade portuguesa, e tem como evidente crescimento a mestiça Irina Diniz, afastando-se cada vez mais do SOVISMO. Em movimentações em busca de apoios, Higino Carneiro, também com passaporte português, tem como possível segunda figura a mestiça Carolina Cerqueira. Não é racismo, é uma constatação que emerge há muito, desde a cumplicidade de Hélder Pita Groz, antigo PGR, de má memória, que foi incapaz de trazer Isabel dos Santos à barra dos tribunais, não conseguiu incriminar Higino Carneiro e ilibou vergonhosamente Kopelipa, além de ter contribuído para que o roubo descarado de Carlos Manuel de São Vicente, esteja ainda hoje bloqueado na Suíça.
São estes pressupostos que espelham o PREC, anatomia de uma vingança mesquinha, e são eles, da UNITA à oposição interna no MPLA, que tanto criticam a justiça que, contabilizada só os beneficiou, fazendo de gente que tanto mal fez à Nação e à cidadania, ainda elegíveis para um Poder que tomaram como coutada sua.
A sociedade angolana carece de reflexão profunda, o contexto global exige conhecimento, experiência, determinação, um rumo que está curso que não se coaduna com aventuras, já foi ultrapassado o tempo da instabilidade económica, foi o desafio de 2017 a 2022, desde então acabamos com as obras inacabadas que escondiam o roubo, em 2027 tem de haver continuidade da obra que consolide a resiliência e capacidade de encetar maior dinamismo na educação, na saúde, os sinais são encorajadores, já estamos a caminhar para lá do petróleo, o Estrado é demasiado grande para dirigentes pequenos, emerge uma nova geração sem marcas de ódios antigos, é o desafio do futuro, é a estrada que vamos asfaltar para a Nova República.
A Revolução

