A Prisioneira 

ByKuma

26 de Abril, 2026

O dinheiro não tem rosto, as notas e moedas são umas vadias milenares, não tem fronteiras nem identidade, compra tudo, luxos, etiquetas, abre portas, tanta coisa cega a vaidade, ilude impunidade, subverte tantas verdades, mas há uma que ninguém compra, o medo, esse terrível sentimento que assusta quando a campainha toca, quando o correio chega, quando sirene da polícia passa ao lado, que tira muitas noites de sono porque a almofada silenciosa pressente a alma inquieta e belisca o subconsciente tomado pela culpa.
Isabel dos Santos, ao contrário do que tenta transmitir com festas efémeras rodeada de falsos amigos atraídos por mordomias, tenta na ressaca do dia seguinte, rodeada por advogados pagos a peso de ouro, livrar-se da prisão de luxo Dubai, e não está fácil. Com casas luxuosas à espera dela em diversos destinos, falta-lhe a liberdade e sobra-lhe cada vez mais depressão, stress de fixação traumática, tem de se apresentar mensalmente às autoridades e só pode deslocar-se Abu Dabi, Dubai, Xarja, Ajmã, Caluão, Recoima e Fujeira, e qualquer fuga implica em perder todo o seu património nos Emirados Árabes Unidos.
Quanto pagaria Isabel dos Santos pela sua liberdade? O que daria Isabel dos Santos, para desfrutar das praias da ilha de Luanda, do Mussulo, e poder viajar pelo mundo inteiro? Não perdeu a oportunidade, Isabel dos Santos, de ter prestado contas à justiça angolana e estar hoje livre com a oportunidade de poder mostrar que seria capaz de ser uma grande empresária sem ajuda do pai? Ou falta-lhe a Sonangol e o Erário Público?
Isabel dos Santos cometeu um erro de cálculo, foi ou deixou-se ser ludibriada pela pela percepção de que a UNITA poderia ser governo em 2022, foi na eterna conversa do Galo Negro das vitórias antecipadas, mas a realidade que o tempo lhe colocou perante factos indesmentíveis, mostram-lhe que apostou no cavalo errado, e a prisão de luxo está a transformar-se no inferno onde a mente vai ardendo em lume brando até que terá de optar entre a verdade e a mentira.
Ninguém exilado, mesmo reis, príncipes, milionários, generais, ministros, banqueiros, não comecem e definhar com o coração a ser açoitado pela saudade, e a alma a ser acossada pela nostalgia de um poder ausente e insubstituível, a terra e o sangue. Todos nós temos raízes, somos uma árvore que precisa ser regada, com cultura, gastronomia, aromas, recordações, é este o verdadeiro inferno quando nos é negado pela nossa própria culpa.
Há muita gente angolana que foi longe demais com o bem alheio, e o maior pecado foi o esbanjamento, o exibicionismo, a falta de respeito por uma cidadania que sofreu e está a sofrer, a quem um grupo de corruptos tentou passar com prepotência um atestado de menoridade. Tudo tem princípio e fim, Isabel dos Santos, na ressaca do mirabolante festejo dos seus 53 anos, mergulhou na solidão da culpa que corrói a consciência, já atingiu o fim do princípio, entrou na fase irremediável do princípio do fim.
É também com esta realidade que nos corações do meu chão floresce a esperança com as cores da liberdade e tonalidades de uma Nova República.