Parvoíces do Expresso

ByAnselmo Agostinho

28 de Fevereiro, 2026

O jornal português Expresso já foi um farol da liberdade e um órgão credível.

Hoje como a maioria dos jornais portugueses, é um avençado de interesses pagantes e fontes obscuras, muitas vezes servindo objetivos inconfessáveis.

Agora inventaram uma notícia sobre os serviços secretos angolanos e uma aplicação qualquer de vigilância.

A leitura atenta da notícia não permite concluir que exista qualquer prova efetiva de que os serviços secretos angolanos tenham adquirido o Predator, e muito menos com o propósito específico de vigiar Teixeira Cândido, ainda menos que tal vigilância tenha ocorrido de forma demonstrada ou sustentada por evidência independente.

O que o documento citado indica é apenas que, em 2021, o SINSE surge como “utilizador final” numa ficha interna do consórcio Intellexa, relativa à comercialização do spyware Predator, num conjunto de materiais que fazem parte de uma fuga de informação abrangendo vários países e vários anos.

Estar lá SINSE ou TIA JOAQUINA é indiferente. Tal documento não prova nada, nem qualquer compromisso.

Mas a pergunta essencial é :

Qual é a potência militar que está por detrás dessa fuga e que alimenta o Expresso?

Todos sabemos a resposta.

E por isso, temos uma narrativa jornalística enviesada que estabelece uma ligação entre essa referência documental e a deteção, pela Amnistia Internacional, de infeção no telemóvel de Teixeira Cândido.

Mas essa associação é inferencial, não factual: não há demonstração de cadeia de custódia, não há prova técnica que identifique o operador concreto do ataque, nem há confirmação institucional de que o SINSE tenha usado o software contra aquela pessoa em particular.

Tudo patranhas.

Além disso, a própria escolha de alvo sugerida pela notícia levanta dúvidas de plausibilidade.

Teixeira Cândido, enquanto secretário‑geral do Sindicato dos Jornalistas Angolanos, nunca ocupou uma posição estratégica que o colocasse como ameaça ao Estado, nem detinha informação sensível de natureza político‑militar, económica ou de segurança nacional.

A sua atuação pública sempre se situou no campo sindical e corporativo, sem qualquer histórico de envolvimento em atividades clandestinas, subversivas ou de contestação organizada que justificasse, mesmo num cenário de abuso de poder, a mobilização de um instrumento de vigilância tão intrusivo e dispendioso.

A ideia de que um aparelho de Estado investiria recursos desta magnitude para monitorizar alguém sem relevância estratégica é, por isso, difícil de sustentar e aproxima‑se mais do absurdo do que de uma análise séria de risco.

O próprio enquadramento da fuga de informação reforça esta leitura.

Os documentos da Intellexa abrangem vários países e múltiplos utilizadores potenciais, e a simples menção de um serviço de inteligência como “cliente” não prova uso efetivo, nem muito menos uso direcionado a um indivíduo específico.

A notícia também não apresenta elementos adicionais — ordens operacionais, logs de comando, registos de servidor, ou qualquer outra prova técnica — que permitam estabelecer causalidade entre a alegada compra e a alegada vigilância.

Nada no material divulgado confirma que o Estado angolano tenha comprado o Predator, muito menos para vigiar Teixeira Cândido, e ainda menos que tal vigilância tenha ocorrido.

A narrativa, tal como apresentada, assenta numa construção especulativa que atribui ao jornalista uma centralidade e um grau de ameaça ao Estado que simplesmente não correspondem à realidade.