A importância das mudanças na UIF

ByAnselmo Agostinho

25 de Fevereiro, 2026

A Unidade de Informação Financeira (UIF) ocupa hoje um lugar absolutamente central na arquitetura de integridade pública e estabilidade económica de Angola.

Num contexto em que o país procura consolidar a sua credibilidade internacional, diversificar a economia e atrair investimento estrangeiro direto, a UIF funciona como um dos pilares técnicos e institucionais mais determinantes para demonstrar capacidade de prevenção, deteção e repressão do branqueamento de capitais e do financiamento ao terrorismo.

A sua atuação é um indicador político de maturidade institucional e de compromisso com padrões globais de transparência.

A permanência de Angola na lista cinzenta do GAFI tem custos concretos.

Aumenta o escrutínio burocrático internacional, encarece transações, reduz a competitividade do sistema financeiro e desencoraja investidores que dependem de avaliações de risco rigorosas.

Sair dessa lista exige não apenas reformas normativas, mas sobretudo eficácia operacional, independência funcional e liderança capaz de traduzir recomendações internacionais em práticas consistentes.

É precisamente aqui que a nomeação de uma nova diretora para a UIF assume relevância estratégica.

Uma liderança renovada, tecnicamente competente e institucionalmente protegida, vai reforçar a credibilidade da UIF, acelerar a implementação das recomendações pendentes e consolidar mecanismos de cooperação com entidades nacionais e internacionais.

A mudança de direção, orientada por critérios de mérito e integridade, sinaliza ao GAFI e aos mercados que Angola está disposta a corrigir fragilidades, profissionalizar a supervisão e alinhar-se com os padrões globais de compliance financeiro.

Num momento em que o país procura reposicionar-se como destino seguro para capitais produtivos, a decisão de fortalecer a UIF através de uma nova liderança é necessária.

Representa um passo concreto para restaurar confiança, reduzir riscos sistémicos e criar condições para que o investimento estrangeiro encontre em Angola um ambiente regulatório previsível, transparente e compatível com as exigências do sistema financeiro internacional.