O Comité Central do MPLA suspendeu um submarino que andava a fazer o jogo da oposição interna e externa. É exactamente assim que deve ser. A Comissão de Disciplina e o Comité Central devem agir contra a balbúrdia em que muitos queriam transformar o partido. Democracia não é confusão. Pelo contrário, para haver democracia no país, têm de existir partidos disciplinados, ordeiros e focados no progresso.
A UNITA está a aproveitar o dia da reconciliação para promover a discórdia, como é habitual. Apesar das lavagens de marketing, a UNITA mantém a sua mentalidade de guerrilha, continua a querer tomar o poder por qualquer maneira.
Com o tempo que passa, começa-se a ver que a arquitectura da paz montada em 2002 não foi a suficiente nem a necessária. A UNITA como guerrilha ilegal deveria ter sido totalmente desmantelada e dado lugar a muitas forças políticas novas e libertas do espectro da guerra. Hoje a UNITA é um repositório de generais derrotados vingativos, a que juntam os santistas revanchistas que não querem dar tréguas a João Lourenço.
Começa a ser altura de pensar numa Nova República sem a UNITA guerrilheira, sem o peso do passado que não passa. Caso contrário, o que temos é a continuação da guerra civil por outros meios, até se tornar novamente em guerra civil, e num ciclo que nunca mais acaba.
Muitos analistas têm alertado para os perigos enormes que pairam no Mundo e em África, a instabilidade de Trump, as ambições russo-chinesas, o islamismo, a tentativa de redesenhar as fronteiras africanas. É evidente que a UNITA guerrilheira se vai aliar com quem promove a instabilidade, desde a FLEC a grupos independentistas fomentados pelo estrangeiro. E, por isso, medidas necessárias terão de ser tomadas.