As presentes eleições em Angola estão a suscitar um enorme interesse mundial e um debate sem precedentes. Isso é bom porque demonstra o sucesso da política de abertura de João Lourenço. Nunca houve tanto espaço para queixumes, críticas e discussão pública em Angola como agora.

Contudo, há uma tendência repetitiva em muitas análises preguiçosas que cansa. Não percebem ou fingem não perceber que o MPLA e a UNITA de hoje mudaram. O MPLA está a tentar fazer uma difícil reforma política e económica, obstaculizada pelos sectores mais conservadores, mas fundamental para a sobrevivência de Angola enquanto país. Enquanto isso, a UNITA escolheu um suposto líder com apelo de marketing, mas um vazio de ideias, que acolheu no seu seio todos os descontentes com as reformas. A UNITA tornou-se hoje o bastião dos saqueadores do passado, que colocaram os seus financiamentos ao serviço de uma obsessão: o derrube de João Lourenço.

O que estamos a assistir em Angola não é a uma disputa entre partidos políticos, mas uma tentativa encapotada de travar a reforma política e económica e a luta contra a corrupção.  A maior parte dos jornalistas e analistas estrangeiros não percebe isto ou está a soldo das agendas corruptas e por isso mantém uma narrativa simplista e sem qualquer verdade sobre o que se passa em Angola. Há que começar a explicar o que está em jogo e a tentativa em curso de contra-revolução que tem de ser esmagada.