ACJ anunciou no comício de ontem que a ser eleito quererá transformar Cabinda e a Lunda-Norte em regiões autónomas. Mais uma vez um portuguesismo de ACJ está a traí-lo, por pensar que é possível criar Madeiras e Açores em Angola. Não é. A autonomia da Madeira e Açores ainda não é independentista porque são zonas pobres que vivem à custa do Estado português. E mesmo assim quando se zangam ameaçam logo com independência.

A proposta de ACJ é perigosíssima, se fosse avante levaria à desintegração de Angola como país. O que Adalberto está a fazer é querer acabar com Angola.

Todos sabemos que Angola é uma construção recente que mistura povos, culturas e atitudes muito diferentes do passado. É um produto duma lenta, por vezes acelerada, evolução histórica. A argamassa que une os diferentes povos angolanos existe, mas ainda não está suficientemente consolidada.

O que aconteceria se Cabinda e a Lunda Norte fossem regiões autónomas seria que rapidamente quereriam independência. Veja-se o que está a acontecer em Espanha com a Catalunha ou no Reino Unido com a Escócia e Irlanda do Norte. Além disso, outras zonas de Angola quereriam também a sua autonomia. A zona Norte do país quereria reconstituir o antigo reino do Congo e juntar-se aos outros Congos, no Sul surgiriam outros pedidos dos Herero, até talvez para integração na Namíbia. Possivelmente os Khoisan quereriam o seu estatuto próprio. A caixa de Pandora ficaria aberta e a confusão instalada.

Em Angola, regiões autónomas é sinónimo de rápida, e quiçá, violenta independência. Adalberto está a ser um demagogo e destruidor do país.