Estólidos Prolixos

ByKuma

1 de Junho, 2026

Os franco atiradores mercenários estão a ser paulatinamente a ser substituídos por uma vaga de historiadores, no entanto debitam narrativas e de vivências sem olhar para o bilhete de identidade, são os iluminados que já foram paridos revolucionários numa clara demonstração de culto de personalidade, numa altura em que disputam lugares quando a percepção é de uma diminuição drástica no pleito eleitoral que se aproxima.
Foi Marcolino Moco, em tempo de oportunismos, quem melhor descreveu o ADN do Galo Negro, doutrina selvagem e sanguinária, e destruidores de património para que voltassemos ao primitivismo. Dizimaram aldeias, comunidades, destruíram documentos históricos que os comprometiam como cúmplices do colonialismo, dos seminários aos colégios de elite, mocidade portuguesa, flechas e formação militar, todos agrupados em 1976 no Cuanza, onde as FALA nasceram como braço armado da UNITA.
Não foi coisa pouca, no dia 11 de Novembro de 1975, a proclamação da Independência Nacional, foi feita com ódios em movimento transpostos das matas para as cidades, havia dois propósitos diametralmente opostos, nunca conseguidos porque Jonas Savimbi nunca teve, nunca conseguiu acesso ao mar.
Em 1975 a UNITA começou a sua odisseia antipatriótica com o apoio do batalhão búfalo sul africano, agrupado na base de grootfontein, entraram pelo Sudueste Africano (hoje Namíbia), sob o comando do general sul africano Magnus Malan.
Mas em Luanda o MPLA estava dividido, a ala próxima dos portugueses liderada por Agostinho Neto, e a ala radical liderada por Lúcio Lara, pró soviética. O choque começou com o assassinato de Saydi Vieira Dias Mingas. Ainda em 1976, numa entrevista que o presidente Agostinho Neto deu à revista Veja, do Brasil, durante a entrevista foi à janela do palácio, chamou o jornalista e afirmou: está a ver aqueles navios atracados na baía? São a nossa desgraça, trazem armas e levam-nos tudo que de bom temos por cá. Eu mesmo pressinto que não vou muito longe. 
Tudo isto está documentado na secção ultramarina da Torre do Tombo em Lisboa, e no arquivo nacional em Brasília, documentos classificados da embaixada do Brasil em Luanda, que tinha informações privilegiadas por ter sido o primeiro país a reconhecer Angola como Nação Independente.
A UNITA em poucos anos destruiu o Caminho de Ferro de Benguela, hoje Corredor do Lobito, sabotando ferrovias e destruindo material que hoje valeriam 5.000 milhões de dólares, que reverteram para o Estado de Angola em 11 de Novembro de 1975.
Sabotaram a maior indústria de celulose de toda a África, a CCUP no Alto Catumbela, deixando paralizada ao abandono em completa degradação. Hoje seria um investimento de 4.000 milhões de dólares. Além da produção detinha a segunda maior plantação de eucaliptos saligna do mundo.
Ainda no Alto Catumbela destruíram a maior subestação elétrica que recebia energia da barragem do Lomaum, rio Catumbela, e as linhas de transporte de energia do Lomaum até ao Alto Catumbela e do Alto Catumbela até Nova Lisboa, Huambo, No Alto Catumbela tinha um dispositivo de baterias Autosil que me caso de emergência forneceria energia de 24 a 48 horas à cidade do Huambo através da subestação no Bairro Benfica.
Sabotaram por duas vezes a construção da barragem de Capanda, as obras chegaram a estar paralisadas porque estava tudo minado. As duas maiores Salsicharias, ao nível do melhor do mundo, a Nova Aurora no Bailundo e a do Buçaco na Ganda e Nova Lisboa, foram completamente destruídas e os animais todos dizimados. Desde o Cubal ao Luau, toda a vertente produtiva foi paralisada ou destruída, reinou o império do medo.
O próprio líder subserviente estólido, bacharel tirano psicopata intrujão, teve de fugir em 1975 para Benguela onde se inscreveu nos pioneiros do MPLA com o Nito Gomes, a UNITA era impiedosa com os mestiços, tive um sobrinho no Huambo, Paulo Gonçalves, e o meu avô materno Alberto Tomás, no Longonjo, morto a pontapé juntos dos meus tios crianças, pelos bandidos das FALA.
O 27 de Maio que hoje tanto se fala, era inevitável, a confrontação entre os lusos e soviéticos chegou ao ponto de ruptura, os documentos na Torre do Tombo, por mim consultados, confirmam que os cubanos em Angola foi uma concertação entre Portugal e Cuba, entre Fidel Castro e Otelo Saraiva de Carvalho, mas os soviéticos vieram a controlar a situação com a ascensão de José Eduardo dos Santos à presidência da República.
Hoje podemos afirmar com segurança, e o tempo e a história o dirão, que João Manuel Gonçalves Lourenço, em 2017 deu início a uma Nova República, reforçou em 2022, e tem o caminho aberto para a proclamação em 2027, o tempo de Higino Carneiro, Kopelipa, Dino Matrosse, Lopo dos Nascimento, Manuel Vicente, está sepultado na esperança de uma Nação que aspira um tempo novo, o tempo da democracia, da liberdade, da estabilidade, do Estado de Direito, o tempo da Nova República.