A UNITA joga aos berlindes

ByAnselmo Agostinho

17 de Abril, 2026

A semana política angolana revelou, uma vez mais, a profunda desorientação estratégica da UNITA, que joga aos berlindes sem saber que berlinde quer realmente empurrar.

No início da semana, o partido apresentou com grande solenidade a proposta de um pacto nacional, gesto que, em teoria, poderia ter marcado uma viragem responsável no discurso político.

Contudo, antes que o país tivesse tempo de compreender o alcance da iniciativa, foi o próprio partido a abafar o seu próprio anúncio, desviando o foco para a deslocação do seu líder a Benguela, numa tentativa evidente de capitalizar politicamente a desgraça alheia. A instrumentalização do sofrimento das populações, para além de eticamente discutível, revelou sobretudo a incapacidade de manter uma linha coerente de actuação.

Mas o desnorte não terminou aí. Mal a viagem começava a ser escrutinada, surgiu uma nova cortina de fumo: a ideia juridicamente alucinada, de chamar o general Miala ao Parlamento para ser ouvido.

A sucessão de movimentos contraditórios, cada um anulando o anterior, demonstra que a UNITA não sabe o que quer, não tem estratégia, não tem foco e não consegue sustentar uma narrativa política minimamente estável. A política exige visão, continuidade e capacidade de leitura do momento nacional; o que se viu foi precisamente o contrário.

Esta sucessão de erros tácticos expõe um problema mais profundo: a fragilidade organizacional e a ausência de uma cultura interna de planeamento.

Um partido que aspira governar não pode viver de impulsos, reacções imediatas e tentativas de aproveitar cada episódio mediático como se fosse uma oportunidade de ouro.

A política séria não se faz com improvisos sucessivos, nem com a permanente necessidade de apagar o que se disse no dia anterior.