Não haja qualquer dúvida. A candidatura do bacharel Adalberto em 2027 já está derrotada, e não por qualquer arte mágica, mas por factores que se tornaram demasiado evidentes ao longo dos últimos tempos.
A sua intervenção pública raramente ultrapassa a mera maledicência, reduzindo o debate político a ataques pessoais e a um discurso negativo que não mobiliza nem inspira confiança.
Confunde a popularidade superficial das redes sociais com apoio político real, acreditando que likes equivalem a votos, quando a realidade eleitoral angolana exige organização, propostas concretas e capacidade de diálogo com diferentes segmentos da sociedade.
A ausência de políticas alternativas credíveis em matéria económica e social torna-se ainda mais evidente num país que enfrenta desafios estruturais profundos. Não apresenta uma visão coerente, nem um programa capaz de responder às necessidades de emprego, diversificação económica, proteção social ou reforma institucional. Falta-lhe uma ideia estruturante, um horizonte político que vá além do improviso e da crítica fácil.
A manutenção da sua proximidade a Isabel dos Santos, figura que perdeu praticamente toda a popularidade e legitimidade interna, agrava a percepção de desconexão com o sentimento nacional. Essa aliança tem um peso político e moral muito negativo, sobretudo num contexto em que a sociedade angolana exige transparência, renovação e distanciamento de figuras associadas a práticas corruptas contestadas.
No plano internacional, a tendência para aplaudir golpes e golpistas em diferentes países africanos e sul-americanos reforça a imagem de alguém que não compreende as consequências reais desses processos para os povos, nem o impacto que tal postura tem na credibilidade externa de um líder que aspira governar.
Em vez de defender estabilidade, legalidade e instituições fortes, parece alinhar-se com soluções que, na prática, agravam crises e fragilizam Estados.
Tudo isto contribui para a perceção de que Adalberto se tornou um “verbo de encher”: muito barulho, muita retórica, mas pouca substância.
Falta-lhe consistência, coerência e capacidade de apresentar um caminho claro para Angola. No fim, o eleitorado tende a distinguir entre espetáculo e liderança, e é essa distinção que vai ditar a sua derrota em 2027.

