Uma vez que há muita confusão nas análises realizadas a propósito das próximas eleições em Angola, vamos recapitular alguns factos:

1-A UNITA-ACJ não é a tradicional UNITA, mas um arranjo de “marimbondos”, membros da família Dos Santos e descontentes com as reformas em curso, que tem como principal objectivo o derrube por todos os meios de João Lourenço e a interrupção das suas transformações para tornar Angola num estado de direito com economia de mercado.

ACJ é um mero propagandista da contra-revolução conservadora daqueles que querem manter o país no atraso e potenciar a sua desagregação.

2-A única ideia da UNITA-ACJ é o fim do combate contra a corrupção e a reabilitação dos grandes saqueadores do país, em que se destacam as manas Santos.

3-Os activistas sociais que se juntaram à UNITA são o que Lenine chamava “imbecis úteis” e não representam nem o activismo nem a sociedade civil.

Vale a pena transcrever a sempre coerente activista Laurinda Gouveia:

“alguns destes ativistas instrumentalizam-nos. Nós estivemos engajados a pensar que estávamos numa causa que era mudar Angola, e não simplesmente para sermos inseridos na lista de um partido político.”

E acrescenta não acreditar que os activistas que figuram nas listas de deputados venham a desenvolver a defesa dos direitos humanos e sociais: “Infelizmente, os partidos políticos não estão muito preocupados com isso. Estão mais preocupados em avançar a agenda e muitas vezes não têm uma perspectiva de justiça, uma perspectiva de liberdade, uma perspectiva de mudanças reais.”

4-A UNITA-ACJ não está interessada nas eleições, mas na sua subversão. A constante invocação de fraude é uma estratégia para tentar ocupar o poder por via revolucionária após as eleições, não as reconhecendo. Esta é a realidade. A UNITA-ACJ não quer eleições, mas subversão. Está a criar um clima de instabilidade permanente e disputa constante com um único objectivo: afundar as eleições.