ACJ, Sábado e Lusa

ByTribuna

14 de Junho, 2022

É impressionante como se tenta modificar a realidade através de campanhas massivas de propaganda.

Na semana passada a revista Sábado escreveu que ACJ não tinha nenhuma licenciatura pelo ISEP.

O documento de resposta do ISEP foi tornado público. Dizia expressamente: “Adalberto da Costa Júnior não obteve o grau de licenciado pelo ISEP”. Estava assinado por Alexandra Afonso Ribeiro.

Esta semana a Lusa veio dizer que: “”Numa nota enviada à agência Lusa, a presidência do Instituto Superior de Engenharia do Porto (ISEP), em Portugal, esclarece que o líder da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) obteve o grau de bacharel em engenharia eletrotécnica naquele instituto, em 13 de dezembro de 1995.”

Ao contrário do que a propaganda da UNITA-ACJ pretendeu de imediato intoxicar a opinião pública, as notícias não são contrárias. Uma confirma a outra.

A verdade é simples: ACJ não tem nenhuma licenciatura e não é engenheiro.

ACJ tem um bacharelato.

O que é isto?

No sistema português em vigor em 1995, o bacharelato era um curso curto de cariz profissionalizante, geralmente, com três anos. Nada tinha a ver com licenciatura.

Quem quisesse ser licenciado teria que fazer mais dois anos no que então se chamava Diploma de Estudos Superiores Especializados com a duração de dois anos.

Então ACJ precisava de mais 2 anos para ser licenciado e engenheiro.

Além disso, obviamente que em Portugal, inúmeras universidades concediam o grau de licenciado em engenharia electrotécnica.

Durante anos alimentou a fábula que era licenciado e engenheiro. Agora está claro que não é.

Não servem as comparações do bacharelato português com o bachelor inglês. Eram sistemas diferentes e sem equivalência.

Também não vale a pena dizer que não era engenheiro, mas era engenheiro técnico. Nunca se inscreveu na respectiva associação ou ordem.

O que temos aqui é uma aldrabice alimentada durante anos, e que agora com conivências várias ACJ procura apresentar a uma luz positiva, quando o que temos é uma fraude, muito semelhante à que José Sócrates cometeu em Portugal e que lhe valeu no fim de contas o lugar de primeiro-ministro.