Na véspera da opereta no circo de Viana, intensificam-se ameaças, multiplicam-se disfarces, e entre avanços e recuos fazem-se ouvir silêncios de medo e expressões de descontentamento que vacilam nas margens das dissidências.

ACJ “Bétinho” em pânico recorre desorientado ao patrono Lukamba “Miau” Gato que, com a sua veia de clandestinidade primária, vai adiando o inevitável, mas o espectro da derrota já não é uma miragem, paulatinamente tornou-se uma real inevitabilidade, até o silêncio de Samakuva causa medo, tanta que é a insegurança.

A lista de candidatos há muito estabelecida, vai sendo escondida a sua revelação por medo de represálias de militantes ostracizados, e por incrível que pareça, a culpa é de João Lourenço e do  Governo que ainda não convocou as eleições.

É de bradar aos céus esta veia enraizada da vitimização, tropeçam nas suas próprias sombras imbecis, entalam-se nas suas próprias armadilhas, e no final diante dos mesmos erros de sempre, vão agitar as bandeiras da fraude para atingirem o que está minuciosamente preparado, avançar com a convulsão social, criar arruaça, e tentar ganhar o Poder na rua.

Diante do descontentamento feroz que ecoa das províncias e da juventude, Abel “Totozinho” Chivukuvuku já saltou de segundo da lista e de candidato a vice de ACJ “Bétinho” e fontes bem informadas dizem mesmo que não consta nos primeiros dez candidatos nacionais, o seu narcisismo mesmo integrado na oligarquia déspota familiar, já foi comido com molho de tomate.

A lista do MPLA tornada pública, com clareza, com responsabilidade, deu mote ao descontentamento feminino no Galo Negro, as mulheres exigem lugares, e não aceitam que sejam destacadas as esposas dos já tradicionais donos da UNITA.

A UNITA precisa de mais 10 anos para se democratizar, e de mais 15 para se socializar e dotar-se de espírito nacionalista, tem de deixar de ser tribalista, racista, totalitarista, com alguns idiotas úteis vindos de outros quadrantes para legitimar a seita da fantochada.

Talvez devesse começar por este desiderato o Pensar a Nação que amanhã começa sob a patrocínio da UNITA, veremos de seguida até onde vai a cobrança deste recreio dos ressabiados.

Oxalá João Lourenço não venha a ser tão misericordioso como foi José Eduardo dos Santos, aniquilar esta UNITA clandestina e subversiva, é a meu ver, dar a oportunidade de surgimento de uma autêntica Oposição democrática, moderna, e sobretudo Nacional.