Desde 1885, Angola nunca foi uma palavra completa, livre, chão dos angolanos. Durante 90 anos construiu-se uma integridade territorial e conseguiu-se uma unidade na diversidade, mas esta foi alcançada numa submissão escravagista que verteu em sofrimento, sangue, suor e lágrimas.
Em 1975, depois de 14 anos de uma determinada Luta de Libertação Nacional, conseguimos ser senhores de nós próprios, mas o tempo jogou contra nós. A Guerra Fria, que emergiu no pós-Segunda Guerra Mundial, dividiu o mundo em duas partes, essas partes dividiram Angola, e a liberdade foi uma ilusão.
Herdámos vícios, houve um desenraizamento cultural, e a ilusão deu abertura a um caminho desastroso que nos dividiu, tornando-nos novamente dependentes e alienados a uma elite fundamentalista, corrupta, apegada a mordomias e aliada a uma apetência pelo poder que sustentava essa ambição desenfreada.
Angola não entrou no dicionário nacional; a harmonização sonhada partiu-se. As divisões e os desentendimentos da luta armada agudizaram-se, até que UNITA e MPLA desencadearam uma guerra civil que terminou com a morte de um dos beligerantes em 2002. Até lá, falharam acordos, viveram-se ilusões e desilusões, num somatório de desastres numa caminhada até 2017, ano em que Angola mais uma vez foi esquecida pela insaciabilidade do enriquecimento ilícito, que instituiu uma divisão catastrófica entre uma pseudo-elite corrupta e um povo esquecido. Medo, justicialismo déspota, crimes contra a humanidade, desrespeito pelos direitos elementares dos cidadãos e um saque do erário público e dos recursos naturais a favor das lideranças de ambos os lados da guerra civil.
O MPLA demorou, no seguimento da Glasnost e da Perestroika, a renovar-se no âmbito das suas responsabilidades históricas. Só em 2017 emerge do interior do partido João Manuel Gonçalves Lourenço, que, contra tudo e contra todos os interesses poderosos instalados, com determinação e resiliência, protagonizou a mudança tão ambicionada e estabeleceu um novo rumo sobre os destroços de um passado que pode ser perdoado, mas nunca esquecido.
Colocou Angola no dicionário do mundo, mas ainda não conseguiu colocar Angola no dicionário angolano. A UNITA ficou parada no tempo, os corruptos criaram uma rede avençada para tentar perpetuar a coutada, e, quer foragidos no estrangeiro a fugir da justiça, quer cá dentro a tentar desestabilizar o MPLA, continuam a colocar os interesses pessoais acima dos do povo de Angola.
Mas combater a ideia de um retrocesso é um desafio gigantesco. O Galo Negro não desarma e, impune, segue promovendo o tribalismo, o separatismo e uma ideia permanente de vingança que traz à tona uma preeminência fútil, geradora de um sentimento perene e acrimonioso em relação à reconciliação nacional e ao diálogo democrático fundamental para o desenvolvimento do país.
Exige-se uma campanha pedagógica, uma mobilização patriótica, uma cruzada cívica em que Angola seja a primeira palavra do dicionário angolano, que seja uma prioridade nacional. É Angola que o Senhor Presidente da República vai representar no palco do mundo, na Assembleia Geral das Nações Unidas em Nova Iorque. É essa nação gloriosa, que recuperou a sua identidade e dignidade de cidadania, que em 2027 vai estar a ser julgada pelos angolanos.
O caminho não pode recuar, tem de ir em frente, livre e democraticamente, de Cabinda ao Cunene, das 200 milhas do Atlântico ao Leste, e o MPLA é a única solução verdadeiramente credível para alimentar a esperança numa Nova República.

