O Impasse Constitucional e a Fragilidade da Alternativa Política em Angola

ByKuma

7 de Novembro, 2026

A democracia angolana corre o risco de caminhar, por falta de alternativas credíveis, para um paralelismo do tipo “um País, dois Sistemas” à semelhança do modelo chinês, impulsionada pela capacidade de regeneração interna do MPLA e pela consolidação de uma economia de mercado atrativa ao crescente investimento estrangeiro.A origem deste cenário reside na própria Constituição da República, que criou uma subjugação recíproca entre a Presidência da República e a liderança do partido maioritário.

Esta arquitetura é, por sua vez, reforçada pela postura do maior partido da oposição, que recusa terminantemente viabilizar a maioria de dois terços necessária para uma revisão constitucional em tempo útil. Ao prescindir da oportunidade de reverter esses condicionalismos, a oposição revela uma postura cómoda, típica de quem prefere não governar, a menos que o Poder lhe caia nas mãos para, então, posicionar-se maquiavelicamente naquilo que perenemente acusa no MPLA.Para a UNITA, a responsabilidade da governação parece ser um tormento, refugia-se no ruído político para sustentar as mordomias de uma elite impreparada, auto-intitulada de “licenciados civis e militares”, oriunda de seminários católicos, protestantes e adventistas.

Nomes como Jorge Sangumba, Capitão de Cavalaria Waldemar Chindondo, Alferes de Cavalaria Ngueve, Armando Chilala, Capitão de Cavalaria Sachiambo, António Vakulukuta, Wilson dos Santos, Tito Chingunji, Jerónimo Wanga, José N’Dele, Jeremias Chitunda, Fátima Roque, Armindo Solunga, Jaka Jamba, Jorge Valentim, Alcides Sakala e Mihaela Weba foram os verdadeiros cérebros militares e civis do “Galo Negro”.

Os restantes são meros herdeiros do prestígio granjeado por estes patriotas.A democracia conquista-se, vive-se e alimenta-se de capacidade intelectual, desenvolvimento e patamares de bem-estar que proporcionem escolhas desalienadas. Até lá, a democratização do Estado pode ser a via mais segura para atingir a plena democracia. É urgente descentralizar demograficamente, valorizar a terra, dignificar o homem em qualquer local ou circunstância e projetar o País a médio e longo prazos, em vez de circunscrever a política a agendas eleitorais assentes em obras apressadas e cedências ao facilitismo.Esta é a minha opinião e apenas a mim me vincula.

Observo o mundo com sentido crítico e exigente, não encontrando alicerces em África para alinhar com convencionalismos europeus ou norte-americanos, modelos que, ainda assim, vacilam perante falhas e desequilíbrios de vária ordem, onde frequentemente falha a própria Ordem Pública.Se a democracia não pode ser um mero ritual quinquenal de contagem de boletins, o verdadeiro teste de maturidade de Angola reside na capacidade de transformar a força do Estado em capacitação do cidadão.

A transição de um regime de hegemonia partidária para uma república de instituições fortes não se fará por mimetismo ocidental, mas pela construção de um contrato social genuinamente angolano, fundado na coesão territorial e na justiça distributiva.O desafio do MPLA e da liderança de João Lourenço não se esgota na purga necessária dos excessos do passado ou na atração de capital financeiro, exige a coragem de institucionalizar o mérito e despartidarizar a administração pública. Uma economia de mercado próspera não sobrevive no longo prazo sem a previsibilidade de um Estado de Direito imparcial, onde o capital nacional e estrangeiro encontrem garantias que transcendam as vontades conjunturais do poder político.Por sua vez, a oposição enfrenta o imperativo ético e histórico de superar a retórica do protesto e apresentar-se como uma alternativa de governação tecnicamente preparada, capaz de descentralizar o debate e propor soluções concretas para o interior do País.

Enquanto a luta política se circunscrever ao acesso aos privilégios da capital, o cidadão comum continuará alheado e o espaço público permanecerá refém de uma polarização infértil.Não tenho partido. Fui militante da UNITA e não sou militante do MPLA, mas sou admirador de João Lourenço. É determinado e corajoso nas opções, cauteloso e responsável no rumo, e cada vez mais claro nos objetivos, espero não me decepcionar.

Aguardo com expectativa a higienização do próprio MPLA e a injeção de uma lufada de juventude que mobilize a cidadania numa corrente caudalosa de esperança numa Nova República.