Houve em múltiplos quadrantes internos vários traidores a Jonas Savimbi, estrategicamente colocados sobressaíram nessa engrenagem, Eugénio Manuvakola, Sachipengo Numa, Paulo Lukamba Gato, Kamalata Numa, e outros tantos que foram leais na sua discordância com frontalidade, casos como Jorge Sangumba, Tito Chingunji, Wilson dos Santos, que pagaram com a própria vida tal atrevimento. A génese da UNITA assentava num discurso de coesão interna e defesa de determinados valores identitários e de libertação.
Com o falecimento do fundador, o partido entrou numa trajetória de profunda fragmentação. A transição não conseguiu inverter o desastre e degradação que Jonas Savimbi estava descontroladamente a afundar o Partido, abrindo portas a lutas intestinas pelo poder e ao afastamento progressivo dos ideais fundacionais que se revelaram uma grande mentira.
O partido encontra-se hoje condicionado por figuras e seus descendentes e familiares, que representam divisões históricas profundas. Ambos são a cara e coroa da mesma moeda, a da ignóbil traição que o Povo não esquece.
Paulo Lukamba Gato, associado a um período de gestão ditatorial interina interna marcada pela imposição de uma linha dura e por derivas ideológicas extremadas que nunca encontraram eco real na vontade genuína da militância de base.
Eugénio Manuvakola, a figura ligada à cisão da UNITA Renovada, cujo regresso simboliza, para muitos antigos militantes, a reabilitação de trajetórias de traição aos compromissos assumidos com o fundador em vida, associando-se ao grupo traidor que conseguiu capturar o Partrido.
Ambas as figuras representam uma cúpula desligada do sofrimento e das expectativas reais do “Galo Negro”, operando em gabinetes fechados e assoberbados de mordomias, que os colocam alheados do sentimento popular.
Durante décadas, a retórica oficial da UNITA assentou em acusações severas contra adversários políticos relativamente a questões identitárias e de pureza da liderança.
A composição de topo do partido e as respectivas cabeças de lista em círculos eleitorais decisivos já estabelecidos (como Luanda e Benguela) evidenciam uma total contradição com esse discurso histórico, demonstrando que o pragmatismo político e a ânsia de poder se sobrepõem aos princípios apregoados.
A UNITA sempre defendeu a negritude e apontou o MPLA como porto seguro da mestiçagem, hoje o Galo Negro é liderado nacional e provincialmente por mestiços.
A atual liderança de ACJ”Betinhi”, é retratada como estando refém de equilíbrios internos precários, submetendo-se a dinâmicas de humilhação política em troca da manutenção de uma fachada de poder.
O afastamento das bases traduz-se também na dependência de círculos de influência, conselheiros e financiadores externos (nomeadamente de origem portuguesa e outros grupos económicos), distanciando o partido da realidade nacional e transformando-o num instrumento alheio aos interesses profundos de Angola.
A UNITA corre numa pista sozinha, o seu líder tem clinicamente diagnosticada uma depressão, é notório o percurso oscilante e pleno de contradições.
Senão vejamos: É cristão e tem ligações ao islamismo; É engenheiro eletrotécnico, mas nunca concluiu a licenciatura; Na CPLP e PALOPS, tinha estreitas relações com o ditador da Guibné Bissau, Embaló; Investe fundos do oureo e diamantes clandestinois em lobbys na América, mas tem cada vez mais relações oportunustas com Putin; Pisca o olho esquerdo a Portugal e o direito à África do Sul; Tem como referência Venâncio Mondlane.
Pode Angola contar com esta seita fundamentalista para partilhar ideias que reforcem o rumo com êxito, que devolveu ao País, pela argúcia e capacidade de liderança de João Manuel Gonçalves Lourenço, a credibilidade e confiança de Nação independente, estabilidade e segurança para atração de investimento, e valorizando as instituições do Estado dotando-as de capacidade de resposta e reduzindo burocracias?
Estas lutas de facções e um divórcio total entre a cúpula dirigente e o sentir do povo angolano, confere um estatuto à UNITA de um projeto envelhecido, retrógrado, incapaz de se regenerar. Podem vestir roupagens novas, desfilar em folclore, mas são o retrato de um partido que, na ótica crítica da cidadania, perdeu o rumo e a coerência. As amarras do passado colocam a UNITA fora da irreversível Nova República.

