O Tempo e o Modo

ByKuma

10 de Maio, 2026

Não foi na rua, nas redes digitais, nos meios de comunicação social, não foi quando tanta gente queria, quando dentro e fora do Partido alguns desejavam, foi nos órgãos próprios, no tempo que entendeu, sem alarido, que o militante João Manuel Gonçalves Lourenço, apresentou a sua candidatura à liderança do MPLA – Movimento Popular de Libertação de Angola. A seis meses da realização do Congresso Extraordinário eletivo, deixou de ser alvo de múltiplas especulações, ataques soezes, simulações covardes, e clarificou o que muitos temiam, confirmou o destemor de concorrer é submeter-se livre e democraticamente, à vontade dos militantes mesmo com o peso e desgaste da governação de dois mandatos. 
Ainda assim os abutres, intrusos e sanguessugas não irão abrandar o ruído, presunçosa e estupidamente falam em nome do Povo, e levianamente dizem-se ser a vontade dos militantes, só não confessam a aflição que vai tolhendo-lhes as mentes, obscurecendo receios e fraquezas num ruído enlouquecido. O que virá para o período que decorrerá entre o Congresso do MPLA e as eleições de 2027? 
Escandalosamente  e impulsionado pelo seu complexo de caceteiro belicista, o monarca Mbundo, Lukamba “Miau” Gato, publicou nas redes sociais, horas depois, uma artigo em que insinuava a ligação de João Lourenço,ao tempo com 23 anos de idade, às ossadas agora encontradas, alegadamente em consequência do 27 de Maio de 1977. Ao expelir o veneno que caracteriza a sua personalidade megalómana, escreveu: “… agora que já encontraram as ossadas do 27 de Maio, falta descobrir as valas comum da 6ª Feira sangrenta de 1992 …”. Ora bem, o monarca Mbundo, Armindo Lucas Lukamba Paulo “Miau”, tem exactamente a mesma idade João Lourenço, convinha que explicasse publicamente, onde estão as ossadas dos dirigentes mais ilustres e inteligentes, e dos militares das FAPLA mortos nas emboscadas no Corredor do Lobito, entre o Cuito e o Luena. A verdade é tão arrepiante que eu até me coíbo de revelar neste espaço.
Estas acusações ou insinuações são feitas com efeito do reflexo do próprio espelho de casa, têm como base o seu auto-retrato, “Miau” tem hoje na UNITA fragmentada uma esposa na LIMA, outra esposa na Comissão Executiva, duas filhas na JURA, e tem o seu líder subserviente, bacharel tirano psicopata intrujão, ACJ “Betinho”, diagnosticado com uma depressão devido ao stress, a aquecer o lugar para a probabilidade,à última hora, ser substituído por Navita Ngola/Ékuva Estrela, filha do seu inseparável Eugénio Manuvakola, aliado desde a Renovada na teia traiçoeira a Jonas Savimbi. Não foi à toa que as bases sempre os rejeitaram.
Mas a fragmentação da UNITA estendeu-se à oligarquia déspota familiar, o conflito político com o PRA-JA de Abel Epalanga Chivukuvuku, com ou sem caixa térmica, está aberta a luta pela liderança da oposição, com isto os lugares encolhem e haverá menos empregos, daí a ascensão do casal do momento, Adriano Sapiñala e Irina Diniz. Para trás ficou irremediavelmente, junto da garotada, Nelito Ekuikui.
Quanto ao MPLA, de Higino Carneiro a Irene Neto, de Manuel Homem a Rui Falcão, de Carlos Feijó a Kopelipa ou Manuel Vicente, não passam de projetos pessoais em busca de protagonismo que lhes salve do confinamento e auto exclusão, Isabel dos Santos diz-se cansada de financiar expectativas e projetos falhados.
Para lá deste desfile entre realidades, máscaras e ficções, não pode descurar-se a árdua tarefa de governar num mundo em constante mutação, somam-se cada vez mais exigências, multiplicam-se a necessidade de estratégias, e há um ritmo que está num estágio que não pode retroceder, há um rumo pilotado pelo Senhor Presidente da República, temos uma sociedade cada vez mais comprometida com o desenvolvimento, essa dinâmica vai deixando alguém pelo caminho, temos de nos solidarizar com os que já não podem, mas temos de ser implacáveis com os que não querem, é o preço da liberdade, é o caminho da democracia, é a viragem para a Nova República.