Densidade Nebulosa

ByKuma

8 de Maio, 2026

Decifrando os abutres engalfinhados no desfile ruidoso em busca dos seus quintais, concluímos quanto é difícil governar um Estado minado por uma nebulosidade que só se dissipa com a revelação dos que, todo tempo disfarçaram fidelidades, mas que agora não lhes interessam os partidos nem a Nação, lutam abertamente pelo seu quinhão pessoal.Na UNITA sobraram fragmentos do medo, a ânsia de Poder é tão frenética que o reino fragilizado Mbundo, do reizinho autoproclamado Lukamba I (o lavrador), impôs subserviência, arranjou um líder fantoche, conhecido psicopata e intrujão, ACJ “Betinho”, que anda às aranhas em busca de uma vaga da sociedade civil para se esconder na sombra da tal Aliança Patriótica, que mais não é que um disfarce para adiar a constituição das listas eleitorais para 2027, porque 100 candidatos para os primeiros 20 lugares, e sabe de antemão que pode ser o princípio do fim. Nas escritas do reino Mbundo, tiveram o desplante de afirmar que a guerra foi determinada por razões ideológicas, o MPLA representava o comunismo soviético e o Galo Negro a democracia liberal. Que falta de vergonha, que baixeza ignominiosa, o Apatheid era democracia liberal? Os sacos de diamantes e ouro que iam para o Reino de Marrocos a troco dos mísseis Stinger, eram democracia liberal? A UNITA é realmente um partido político? Qual a ideologia? Qual o programa? O que a UNITA alterava na atual Constituição da República de Angola? É que a UNITA espremida, dá uma mistura de agência de emprego, agência de viagens e turismo, agência de passagem de modelos, um centro de branqueamento de capitais, e um lobby de interesses especulativos Mas a densidade nebulosa não se circunscreveu à ação subversiva de afronta e desgaste do Estado no seu todo por parte da UNITA. Nem sequer está, agora, circunscrita à luta desenfreada com o PRA-JA, de Abel Chivukuvuku, na expectativa da realização do Congresso do MPLA em Dezembro, também estão a cair as máscaras de muitos camaradas que foram ao longo do tempo destilando ódio a João Manuel Gonçalves Lourenço, porque obrigou-os a auto refugiarem-se conscientes de culpa própria. Mesmo para odiar em proveito próprio é necessário capacidade, sagacidade, e ao longo do tempo o Presidente do MPLA tem sido um vencedor apenas com o silêncio.Acredito que possa surgir, ainda, no tempo certo, uma ou outra candidatura à liderança do MPLA com um programa com substrato, mas até agora, além da precipitação temos tido pré candidatos movidos por interesses pessoais ou de grupo, todos eles a contas com um passado de corrupção, de prepotência, cuja idiossincrasia é uma descarada roubalheira ao Erário Pública, e parcerias que os tornaram quase donos do País.Higino Carneiro, por exemplo, é a terceira escolha de um grupo cujos antecedentes são enriquecimento ilícito, nepotismo, com herdeiros a pavonearem-se em Luanda, Lisboa, Rio de Janeiro e Marbella, distinguindo-se por comportamentos de um novo riquismo indecente, passeando-se em viaturas de milhões, roupas exclusivas, iates, cabaret’s, e hotéis de celebridades. Basta ver a lista de apoiantes do putativo candidato, está lá a escória toda do Santismo de má memória.Surgiu agora, de repente, mais uma intenção de candidatura: Irene Neto. É um direito que lhe assiste, mas é exigível, imprescindível, decoro, moral e ética, tratando-se de uma filha do fundador da Nação, merecendo por isso o respeito e recato em memória do seu pai. Pode, Irene Neto, em consciência e noção do lugar, apresentar-se, mesmo intencionalmente, como candidata sendo casada com um homem que é um dos ícones da corrupção em Angola com fortuna colossal e indecente dentro e fora do País? Angola ainda padece de feridas muito recentes, as dificuldades inerentes criaram obstáculos à governação do Senhor Presidente da República, gastaram-se sinergias, tínhamos um País que era sinónimo de corrupção além fronteiras, ativos do Estado em contas pessoais no estrangeiro, participações em bancos, empresas de energia, construtoras, empresas petrolíferas, investimentos que Angola carece e nem sequer conseguiram manter o que existia.Angola não pode permitir bloqueios que coloquem em causa os ganhos das mudanças implementados por João Lourenço, o MPLA tem de ser a fronteira entre o Estado e o aventureirismo, o espaço e as dinâmicas conquistadas têm de ser asseguradas em 2027, o pior já passou mas para além de complementar as obras inacabadas herdadas com a agravante do endividamento, devido ao saque desenfreado dos candidatos aflitos, há uma aposta na elevação de um homem novo, preparado, qualificado, para que tenhamos mais saúde, educação, e uma previdência e solidariedade social, que exige esforço, dedicação, e até devoção, que advém da responsabilidade e determinação de um Estado em plena transformação.Cada coisa a seu tempo, hoje temos um rumo, todos, mas todos temos o dever de participar na construção de uma Nação liderante, temos de incutir à cidadania ambição e partilha, são a esperança de assegurar a liberdade, a democracia, princípios e valores e uma Nova República.