Um Partido político não é sociedade civil? É, mas tem o seu enquadramento específico existencial em democracia.
Uma Ordem ou um Sindicato são sociedade civil? São, mas têm a sua função jurídica determinada no modelo de sociedade democrática, normalmente incumbente de negociar, reivindicar, concertar. Não podem, não devem estabelecer parceria numa coligação partidária, têm outros instrumentos de representatividade que não se coadunam com um partido político.
Um cidadão ativista nas redes sociais, um detentor de um órgão de comunicação social opinativo, um terrorista, pertencem à sociedade civil? Sim, mas ética e moralmente devem abster-se de qualquer coligação partidária institucional, porque não dispõem de instrumento jurídico para o efeito.
Um cidadão contumaz ou foragido da justiça, mesmo não transitado em julgado, pertence à sociedade civil? Sim, mas não goza dos seus direitos de cidadania, logo está impedido de exercer atividade política livremente, ou qualquer atividade no seu País de origem.
Sem querer enquadrar ninguém numa destas condições, leva-me a este escrito o facto de constatar estranhas coincidências, simultaneamente perigosamente contraditórias. Nada de novo, até porque lhes falta subtileza e engenho, e até uma verticalidade identitária.
Marcolino Moco, proscrito e ostracizado por gente a quem enganou com a sua ilusória intelectualidade e postura oportunisticamente vacilante, aproveitou a visita de Sua Santidade Papa Leão XIV, para vir a público, à sua maneira, proclamar o que Chefe de Estado do Vaticano não disse, mas que ele gostava que tivesse dito. Mas não foi só, revelou apoio ao líder subserviente, bacharel tirano psicopata, mais que intrujão, ACJ “Betinho” de Quinjenge, e em jeito de ataque, referindo-se à carta dirigida ao Senhor Presidente da República, afirma estar a bola, agora, do lado de João Lourenço. Simultânea e habilmente, veio a público declarar que deixou de ser militante do MPLA desde 1989. É normal, José Eduardo dos Santos exonerou-o por incompetência e deslealdade do lugar de primeiro-ministro. Caiu-lhe a máscara.
Assim, mesmo sem entidade jurídica para o efeito, colocou-se como parceiro da UNITA do bacharel ACJ “Betinho”, nas busca aflita da tal Aliança Patriótica para a Alternância (não alternativa) do Poder. Só que esta UNITA, além de não o todo do Partido, dias depois de enviar a carta ao Senhor Presidente da República, foi escandalosa e oportunisticamente a Benguela, para uma sessão de fotografia junto dos nossos irmão infortunados, vítimas das cheias, criticando o Governo, e maldizer de João Lourenço. Enquanto isso, a UNITA de Luanda, em festa, dava show com as vedetas Irina Diniz e de Adriano Sapiñala, em completa e flagrante dessintonia com a liderança fragilizada.
Como aqui já referi, a procissão vai no adro, Samakuva está calado, Mihaela Webba está muda, Kamalata Numa está ocupado nas negociatas com os antigos combatentes, José Pedro Kachiungo está no conforto da sua base, e a reserva moral, intelectual, política, sã, patriótica, respeitada e credível, depositada em Alcides Sakala, poderá vir a ser o embrião de um Galo Negro capaz de rejuvenescer e higienizar a capoeira, tem com ele a estima da academia, o património das relações internacionais decentes, tem formação capaz para responder aos anseios de uma nova geração que quer participar na construção do futuro. Ontem já foi tarde demais, hoje persiste um presente contaminado pela cegueira enlouquecida, até 2027 vai ser um futuro de corrupios no SOVISMO com as facções a reivindicarem posições na lista que vai ser protelada até não poder mais.
Se há coisas novas que virão à tona em consequência da governação que estabeleceu um rumo e está a conquistar o futuro, outras serão esclarecidas pela vontade popular, a perspetiva sente-se, escuta-se, e no Congresso do MPLA emergirá o élan e a responsabilidade de assegurar a continuidade, há motivos para acreditar, há uma luz a clarear o caminho, a esperança não se alimenta de loucuras nem aventuras, haja resiliência e serenidade, há mudança que terão o seu timing, cumprindo a Lei e as regras da Democracia, chegaremos, então, à Nova República.
Quem é Quem?

