A decisão de criar a Sociedade de Desenvolvimento do Corredor do Lobito é uma excelente iniciativa, sobretudo porque resolve uma dificuldade que há muito se fazia sentir: a falta de um interlocutor institucional claro para tratar dos assuntos ligados ao desenvolvimento do Corredor.
Até agora, investidores, parceiros internacionais e entidades nacionais tinham de navegar por várias estruturas dispersas, o que criava incerteza, atrasos e perda de oportunidades.
Com esta nova sociedade pública, sediada no Lobito, passa a existir uma entidade única responsável pela administração, coordenação, supervisão e promoção de todas as iniciativas económicas associadas ao Corredor. Isto não só clarifica responsabilidades, como também reforça a capacidade do Estado angolano de atrair e organizar investimentos estratégicos.
Num momento em que o Corredor do Lobito se afirma como eixo logístico crucial — ligando o porto do Lobito à fronteira com a RDC e servindo o escoamento de minerais críticos do Copperbelt e de Kolwezi — a criação desta sociedade funciona como um verdadeiro catalisador de desenvolvimento económico. Permite estruturar melhor projetos nos setores da agricultura, indústria, turismo e serviços, reforçando a competitividade de Angola face aos países vizinhos.
Além disso, a existência de uma entidade gestora dedicada facilita a articulação com operadores privados, como o consórcio Lobito Atlantic Railway, e com financiadores internacionais, incluindo a DFC, o Development Bank of Southern Africa e as iniciativas europeias no âmbito do Global Gateway.
Em suma, esta medida não é apenas administrativa: é estratégica. Cria previsibilidade, organiza responsabilidades e posiciona o Corredor do Lobito como um verdadeiro polo de crescimento regional

