A pobreza do pensamento da oposição é atroz. Ontem, mais uma vez na rádio panfletária do bacharel, um grupo tentou falar da dívida pública de forma estrturada. Talvez dois ou três tenham conseguido dizer umas frases com princípio, meio e fim, contudo, a maioria das “análises” foram absurdas e ignorantes maledicências que não passam de clichés vazios de quem não sabe nada de nada. Talvez dê likes, mas para a população informada vê-se que a UNITA não sabe e não está preparada para ser governo. Será o caos da burrice.
É verdade que Angola enfrenta um dos anos mais exigentes em matéria de finanças públicas, com amortizações da dívida que poderão atingir cerca de 13 mil milhões de dólares em 2026.
Apesar desta pressão, o Executivo tem reafirmado o compromisso de manter a sustentabilidade do endividamento, num contexto em que o ‘stock’ da dívida pública deverá ascender a 64,3 biliões de kwanzas, incluindo 4,1 biliões de financiamento líquido. O Ministério das Finanças sublinha que a prioridade é preservar o rácio da dívida pública em percentagem do PIB numa trajetória sustentável, depois de este ter descido para cerca de 49% em setembro de 2025.
A estratégia para 2026-2028 aposta sobretudo na mobilização de dívida interna — estimada em 2,4 biliões de kwanzas — e na diversificação dos investidores, acompanhada de gestão proativa de passivos, maior recurso a financiamento concessional e de longo prazo, e medidas para reduzir a concentração e o risco cambial da dívida.
Não se pode esquecer a evolução positiva registada desde 2020, com a redução do rácio da dívida (de 69% para cerca de 50,5%), a diminuição da dívida colateralizada com petróleo e a queda da exposição cambial.
A pesada herança dos cofres vazios do santismo deixou rasto por muitos e longos anos, mas está a ser ultrapassada.
O certo é que atual estabilidade cambial e das taxas de juro tem atraído investidores externos, criando condições para dinamizar o mercado doméstico de títulos públicos Ainda assim, 2026 será um ano de elevada exigência, com o serviço da dívida a poder atingir 15 biliões de kwanzas, exigindo disciplina orçamental e rigor técnico reforçados.
Num cenário como este, um governo responsável deve adotar medidas que consolidem a sustentabilidade futura: reforçar a disciplina fiscal e o controlo rigoroso da despesa; priorizar investimentos públicos com retorno económico claro; ampliar a base tributária sem penalizar a atividade produtiva; aprofundar a gestão ativa da dívida, alongando maturidades e reduzindo exposição cambial; fortalecer o mercado interno de capitais para diminuir a dependência de financiamento externo; e acelerar reformas estruturais que aumentem a produtividade, diversifiquem a economia e reduzam a vulnerabilidade às oscilações do petróleo.
Estas ações são essenciais para garantir que o país enfrenta 2026 com resiliência e constrói uma trajetória de estabilidade financeira duradoura.
É isto que a UNITA não sabe propor.

