Eles gostam de fazer um refrão com a fome em Angola. Mas não sabem dizer mais nada, e muito menos apontar soluções. Agora até organizam colóquios contra a fome e cobram entradas…É mau demais.
Enquanto, fazem barulho, o país avança.
Nas últimas semanas, o panorama industrial angolano voltou a ganhar fôlego com a inauguração de empreendimentos estratégicos que reforçam a ambição do país em diversificar a economia e reduzir a dependência das importações.
Dois acontecimentos destacaram-se pela sua dimensão simbólica e impacto económico: a entrada em funcionamento de uma nova fábrica de montagem de veículos e a inauguração de uma moderna unidade de produção de alumínio.
A indústria automóvel, praticamente adormecida durante anos, conheceu um novo impulso com a abertura da OPAIA Motors, instalada na Zona Económica Especial do Icolo e Bengo.
O projecto, resultante da recuperação da antiga fábrica da China International Fund, representa não apenas a revitalização de um activo industrial estratégico, mas também a afirmação de uma visão empresarial que aposta na capacitação técnica nacional. Com duas linhas de montagem equipadas com tecnologia moderna e operadas maioritariamente por técnicos angolanos, a unidade promete relançar a montagem automóvel no país, criar emprego qualificado e reduzir a pressão sobre as importações de viaturas.
Paralelamente, a Zona Franca da Barra do Dande, na província do Bengo, tornou-se palco de um dos mais ambiciosos investimentos industriais recentes: uma fábrica de alumínio com capacidade para produzir avultadas quantidades.
Independentemente da discrepância numérica, o consenso é claro: trata-se de um empreendimento de grande escala, com impacto directo na cadeia de valor da indústria transformadora e na criação de mais de mil postos de trabalho. O investimento, estimado em 250 milhões de dólares, reforça a aposta do Executivo na diversificação económica e na industrialização como motores de desenvolvimento sustentável.
Estes projectos somam-se a um conjunto mais amplo de iniciativas que têm marcado o sector industrial angolano, revelando um movimento de reestruturação e modernização que se estende a várias províncias.
A conjugação entre investimento privado, recuperação de activos públicos e políticas de incentivo à produção nacional começa a desenhar um novo mapa industrial, onde sectores como metalurgia, agro-indústria, logística e energia ganham protagonismo.
No seu conjunto, estas inaugurações simbolizam mais do que a abertura de fábricas: representam sinais de confiança no mercado angolano, oportunidades para a juventude, estímulos à competitividade e passos concretos rumo a uma economia menos dependente do petróleo.
Angola vai entrar numa fase em que a industrialização deixa de ser apenas um discurso estratégico e passa a materializar-se em infraestruturas, empregos e capacidade produtiva real.

