Esperança Renovada

ByKuma

19 de Janeiro, 2026

Atravessaram-se gerações,
No mais remoto dos humildes,
Palpitava corações com esperança,
De ser livre no seu próprio chão,
Uma corrente caudalosa de lágrimas, 
Um sofrimento marcado com sangue,
Travessias acorrentadas,
Saudades pintadas de branco pela desesperança, 
De um tempo que foi e nunca voltou.
Ficou a busca de identidade nos que ficaram,
Força, suor, perdição e resiliência,
Machados, catanas, zagaias, vontade,
Enfrentando força desigual, bruta,
Correntes fortalecidas no silêncio,
Até que a força da razão venceu a força sem razão,
E numa madrugada feliz, depois de tantas infelizes,
Chegou a liberdade, sim chegou a liberdade.
Alguém nos enganou, todos nos enganamos,
Uns porque mentiram, outros porque acreditaram,
Do Tarrafal às idas sem retorno,
Nem a Sagrada Esperança salvou,
O destino marcado pela desgraça do homem,
E a identidade que parecia fácil,
Partiu-se entre os bons e os maus,
Uns e outros trouxeram-nos até aqui.
Construíram-se tronos para reis e rainhas,
Castelos de areia com notas verdes yanks, 
Coladas com suor e sangue do Povo,
Até que alguém disse: BASTA!
De sobra a capital endoideceu, 
Em cada esquina um rei ou uma rainha,
Esquartejando a Nação em coutadas, 
A Corte acumulou condes, duquesas a barões,
O chão outrora de esperança,
Estava tomado e cercado de ladrões.
O Homem que disse BASTA, 
Aplaudido pelo Povo,
Reconhecido pelos Povos,
Herdara uma pista de obstáculos,
Só com resiliência, mestria, 
E um pequeno contingente determinado,
Conseguiria atingir a meta, longe, muito longe,
E no caminho comprido ocre empoeirado,
Acidentes aconteceram com maus condutores,
Fizeram buracos no caminho,
Destruíram-se pontes, apagaram-se luzes,
Mas a lua que iluminava noites de orações,
Deu lugar ao sol brilhante de esperança,
E a crença inundou crença os corações,
Despontaram raízes de uma identidade,
Que vai florindo na imensidão do nosso chão, 
Já ninguém se esconde,
Ninguém tem constrangimento de ser angolano.
O tempo sereno e implacável,
Serve-nos silenciosamente as oportunidades,
Água, chão, chuva, sol, mar, um teto abençoado,
Desponta um homem novo com raízes antigas,
Ergueram-se grilhetas, criaram-se sentinelas,
Está garantida a liberdade que muitos não entendem,
Da terra florescem o pão e frutos frondosos, 
Domar o peixe, o sal, dos rios o bagre e a toqueia,
Na terra que é nossa crescem bovinos, suínos, caprinos,
E pelas mãos e o saber do homem novo que acredita,
Constrói-se o futuro que trarão os amanhãs que cantam.
Quem quer desviar o caminho para o abismo?
Os mesmos que roubaram, que guerrearam,
Aqueles que querem tirar-nos ao nosso chão, 
Para desfrutarem dos luxos do Dubai, Paris e Lisboa,
Entre meretrizes e filhos da perdição,
Saqueando como sempre fizeram à descarada,
Todo o esforço de uma Nação.
Temos um mundo em convulsão a rodear-nos,
Temos baionetas assassinas apontadas,
Filhos perdidos, vendidos, foragidos,
Cegos, enlouquecidos em busca de terra queimada,
Estão aflitos, a meta está à vista, é contrarrelógio,
A bandidagem viaja para dizer mentiras fora,
Que cá dentro são absurdas,
Reclamaram no passado, mentiram-se, enganaram-se,
E já mentem e enganam-se antes da próxima meta,
Espirram onde não devem, em casa alheia,
Tentam contagiar e contaminar,
Com os esgotos nauseabundos dos seus cérebros,
E arrastam os inválidos e espertalhões para as trevas,
Quando a mudança que assalta os corações,
Das almas puras e vontades inabaláveis,
Vão com o timoneiro carregando o tempo novo,
Rasgando definitivamente a saudade e maldição,
Do passado que a todos enganou.
Homens e mulheres de Angola,
O passado deixa cicatrizes e ensinamentos,
O presente que daqui a nada é futuro,
Nada pode fazer para mudar o que passou,
Mas diz-nos o que não devemos deixar acontecer de novo,
A nossa terra não pode ser uma tela de cinema,
Com cenas dramáticas e heróis aventureiros,
É o retrato vivo dos abomináveis entrincheirados,
Que flagelam como franco atiradores,
Quem por Angola dá tudo o que tem.
Vamos calma e decididamente ser chamados,
Liberdade, estabilidade e segurança,
São conquistas inegáveis do nosso guardião,
Olhamos ao redor e não é coisa pouca,
O País pula e avança, 
Mas muito está para se fazer,
Não desviemos o caminho que está a fazer-se,
Em 2017 foi o começo,
Em 2022 foi o empurrão que acelerou,
Em 2027 é o momento da continuidade,
Entraremos no iluminismo do futuro,
Quem não quiser, não atrapalhe,
Humildade, confiança, capacidade, experiência,
São os alicerces da exigência,
Da inevitável Nova República.