Se recuarmos no tempo das noites grandiosas de êxtase e volúpia na cidade de Paris, encontramos paralelo nos esbanjamentos “à grande e à francesa”, tal Corte de Luís XVI, protagonizadas por Elísio de Figueiredo, Jonas Savimbi e Higino Carneiro.
O atual líder da UNITA, bacharel tirano psicopata, mais que intrujão, ACJ “Betinho”, a pretexto de uma viagem para participar em reunião da IDC, organização de Extrema Direita onde só participa um governante africano, o cabo verdiano Ulisses Correia da Silva, imagine-se para discutir a democracia em África, aproveitou este acessório para ir ao principal.
Com um “cocktail” onde não faltou champagne, caviar, foie gras e espetadinhas de salmão, fez a apresentação do seu livro, com um handicap, o menino grande não sabe francês.
Mas quando as luzes se acenderam e a Torre Eiffel ficou iluminada, não muito longe da Ópera Garnier, no nº 43, da Rue De l’Abbé Grégoire, no luxuoso e milionário 6º Arrondissement de Paris, em salão nobre forrado a Euros, apoiado por modelos femininos trajados nas Galerias Lafayette, apoiados por suítes e quartos a 450 € a noite.
Coincidências ou não, foi nesta data em 1793, após a Revolução de 1789, quando se proclamou a República francesa, que o rei condenado e guilhotinado. Hoje o bacharel tirano psicopata, mais que intrujão, ACJ “Betinho”, goza de liberdade e pode usufruir de meios para sustentar tais grandezas megalómanos, só que, sem vergonha, não se dá conta do ridículo quanto critica os outros por aquilo que ele faz.
É este o espelho de uma UNITA falsamente moralista, escondendo recursos com pobreza desfraldada, não à toa, quando é para criticar João Lourenço ou atacar Fernando Miala, se juntam aos mesmo que tudo fazem e investem para regressar ao passado. Mas as redes digitais que servem para a subversão e terrorismo, servem também para propagar as verdades que doem, assim os cidadãos angokanos sabem o que lhes espera se esta corja pudesse um dia ser Poder.
Aliás, há cada vez mais distanciamentos visíveis no Galo Negro, o silêncio do diplomata, intelectual e patriota Alcides Sakala, e o cada vez mais líder na somba Lukamba “Miau” Gato, é revelador de que o líder dependente está cada vez mais só, apenas comungam da dependência alheia, desacreditando sempre e continuamente as instituições nacionais.
Vejamos o que escreveu Lukamba “Miau” Gato, no dia em que o seu ajudante de campo se exibia em Paris:
“Nesse sentido, a prática actual da União Africana em matéria de observação eleitoral revela-se manifestamente insuficiente. A observação circunscrita ao dia da votação, muitas vezes simbólica e tardia, não permite aferir a integridade global do processo eleitoral. Contrariamente a essa abordagem, a União Africana deveria evoluir para um modelo de observação eleitoral de longo termo, acompanhando as fases determinantes do processo, como o enquadramento legal, o recenseamento eleitoral, o acesso equitativo aos meios de comunicação social, a campanha, o acto de votação, o apuramento dos resultados e a resolução dos contenciosos eleitorais.
Só uma observação contínua, rigorosa e tecnicamente competente permitiria avaliar se os processos eleitorais respeitam os padrões do direito internacional e as normas definidas por instituições africanas como o Parlamento Pan-Africano, o Fórum Parlamentar da SADC e as outras Organizações Parlamentares Regionais africanas. A validação acrítica de eleições formalmente pacíficas, mas politicamente viciadas, contribui para a deslegitimação das instituições, para a frustração dos cidadãos e para a reprodução de ciclos de instabilidade política.
Importa, contudo, sublinhar uma verdade muitas vezes ignorada ou convenientemente silenciada: a estabilidade e o desenvolvimento de África interessam, em primeiro lugar e quase exclusivamente, aos próprios africanos.”
Está tudo dito, sempre a dependência, a clandestinidade intrinsecamente enraizada, foi e é matriz de desconfiança, e assim nunca se vai a lado algum, não pode haver diálogo, daí que seja urgente um novo espectro político partidário sob pena do MPLA se perpetuar no Poder pela vontade popular. Isto também não é muito saudável para a democracia, mesmo com liberdade, por isso urge sem pressa, mas com determinação mudar o trilho para festejarmos com alegria e esperança, uma Nova República.
As Mil e Uma Noites

