O Xadrez da UNITA e a Batalha Silenciosa pelo Parlamento

ByKuma

4 de Agosto, 2026

A caminho do horizonte eleitoral de 2027, a UNITA enfrenta um escrutínio que não vem apenas de fora, mas que ferve com intensidade alarmante nos corredores e gabinetes internos e nas bases do partido.

Oficialmente, o discurso foca-se na coesão, na alternância democrática e na construção de um governo inclusivo. Contudo, nos bastidores da oposição em Angola, a percepção pública de que a revalidação da maioria pelo partido no poder poderá estreitar o leque de lugares disponíveis cria um cenário de alta voltagem: a guerra aberta pelos lugares elegíveis nas listas de deputados.

Para a velha guarda, os chamados “dinossauros” do partido, figuras que atravessaram as décadas mais sombrias da história da UNITA, resistindo às incertezas da guerra e às intempéries da paz, o Parlamento não é apenas um órgão de soberania. É o bastião supremo de relevância política, imunidade institucional e retribuição simbólica por anos de militância sacrificada.

Para este bloco, a experiência no terreno e o peso histórico são os únicos títulos que contam. No entanto, recai sobre eles a sombra da estagnação: a percepção externa de que o aparelho partidário por vezes se retrai numa couraça de dogmatismo, incapaz de oxigenar a mensagem política com a mesma velocidade com que o país e o eleitorado urbano mudam.

Para os dinossauros, ceder o poleiro significa perder a voz ativa e o relevo no tabuleiro político nacional.Do outro lado da barricada interna perfila-se a nova geração de quadros, tecnocratas, ativistas e jovens políticos que impulsionaram a vaga contestatária dos últimos ciclos eleitorais.

Para estes “jovens turcos”, o argumento geracional é implacável: o país é jovem, com uma média de idades largamente inferior à dos tradicionais hemicíclicos, e o discurso da oposição precisa de refletir essa demografia.

A nova geração argumenta que a manutenção de lugares garantidos por critérios de antiguidade trava a ascensão de novas competências técnicas cruciais para fiscalizar o Executivo e apresentar alternativas viáveis de governação. Para eles, 2027 não pode ser encarado com lentes nostálgicas, mas sim como uma batalha de modernidade.

O verdadeiro catalisador desta efervescência reside na aritmética dos lugares elegíveis. Numa conjuntura em que a fasquia eleitoral é alta e a perspetiva de uma derrota ou de um crescimento limitado paira sobre as projeções mais realistas, o número de assentos parlamentares seguros encolhe como uma câmara de ar sob pressão.

Assim estão traçadas linhas vermelhas, o líder subserviente deprimido, bacharel tirano psicopata intrujão, ACJ “Betinho”, está limitado por imperativo das exigências da oligarquia déspota familiar, e as discussões são feitas em ambiente de confronto, e a lista de candidaturas está determinada nos seus 25 primeiros lugares nacionais, baseada numa amálgama familiar instalada em Luanda e que vivem num nicho de privilégios que não abdicam. 

Cada lugar na lista proporcional traduz-se na fronteira entre a sobrevivência política e a irrelevância.A liderança do partido vê-se num dilema de Hércules.

Se privilegiar a experiência dos veteranos, arrisca-se a alienar a base jovem que sustenta a energia das ruas e das redes sociais.

Se abrir demasiado espaço aos novos rostos, corre o selo de ingratidão para com os históricos que seguraram a bandeira nos momentos de maior aperto.A efervescência na UNITA não é apenas uma luta por cadeiras no Parlamento, é uma disputa pela alma e pelo rumo estratégico do partido. 

No centro desta tempestade perfeita está a incapacidade e a flagrante incompetência do líder.

Após uma década inteira à frente dos destinos da organização, o atual comando revelou-se incapaz de dar um cunho novo ao partido, mantendo-se irremediavelmente prisioneiro do passado.

Construído sobre um somatório estéril de derrotas, este ciclo de dez anos deixou a UNITA sem uma identidade política clara, naufragada numa dinâmica onde o debate de ideias cedeu o lugar a um mero desfile de vaidades.

À medida que 2027 se aproxima, a maior falha do “Galo Negro” poderá não ser apenas a geometria das suas listas ou a gestão do braço de ferro geracional, mas a constatação de que, ao cabo de dez anos, o topo do partido continua vazio de visão e repleto de inércia.

Para já está decidido que os intocáveis iram constar da lista nacional:Adalberto Costa JúniorNavita NgoloPaulo Lukamba GatoArlete ChimbindaAlcides SakalaMihaela WebbaAdriano SapiñalaCesaltina KulandaLiberty Chiyaca Felicidade Chipuka PauloMarcial DachalaNelito EkuikuiClarice KaputuKamalata NumaLucy LukambaLuanda – Irinia Diniz FerreiraIcolo e Bengo – Simão DemboEstes são para já os lugares cativos, mas qualquer elemento a acrescentar necessita de aprovação de núcleo liderado pelo monarca Mbundo, Lukamba “Miau” Gato, aguardando-se ainda nomes avançados por Isabel dos Santos e pela FLEC.

Dos mercenários sobejamente conhecidos, poderão integrar as listas Vítor Hugo Mendes, José Gama e Nelson Gangsta. Esta lista foi-me facultada por um dos elementos integrantes da mesma.Angola saberá dizer não, o rumo ao futuro não pode parar.

O MPLA não poderá festejar a vitória anunciada, terá a responsabilidade de garantir que o caminho não tenha sobressaltos nem seja vulnerável a aventuras, 2027 será o tempo da Nova República.