Falta de Alternativa

ByKuma

18 de Setembro, 2026

A democracia em Angola está coxa por falta de oposição democrática; o MPLA vai institucionalizando-se por ausência de alternativas credíveis.

A UNITA, maior partido da oposição, está mais fragilizada do que nunca. Na falta de capacidade para apresentar um programa próprio, com credibilidade identitária, recorreu a opções para esconder esse vazio: ligou-se à extrema-direita, ao narcotráfico e a relações públicas com personalidades e organizações como Ibrahim Traoré (do Burkina Faso), Sissoko Embaló (líder deposto da Guiné-Bissau) e o senhor Pastrana, tido, a par de Viktor Orbán, como um vilão internacional.

Mas a maior fragilidade está no posicionamento interno. O “Galo Negro” transformou-se numa oligarquia déspota e familiar, onde reina o medo, tendo como bandeiras o tribalismo, o separatismo e o acolhimento de uma gentalha proscrita, avençada e ressabiada. Recentemente, tem aparecido ligada a membros desestabilizadores do MPLA, tentando anarquizar o próximo Congresso Eletivo de dezembro de 2026.

Se observarmos a elite da UNITA, verificamos que ainda estão no ativo e com poder de facto membros beligerantes e vassalos de Jonas Savimbi, como Samuel Chiwale, Ernesto Mulato, Paulo Lukamba Gato, Eugénio Ngolo “Manuvakola”, Arlete Chimbinda e Clarice Caputo. Na linha da frente, revelando uma arrogância preeminente, estão filhos e esposas, tais como Navita Ngolo, Adriano Sapiñala, Liberty Chiyaca, Nelito Ekuikui, Lucy Lukamba Gato e Felicidade Gato, antevendo-se um futuro despotismo caso viessem a atingir o poder.

O líder, Adalberto Costa Júnior, manifesta uma subserviência atroz e vive momentos de depressão emocional e financeira. É detentor de uma prosápia esgotada que o transforma num demagogo inofensivo, cumpridor estricto de ordens, dado que a política é a sua única experiência profissional.
Agora soma-se a agravante de ter concorrência pesada no mesmo espaço político: o PRA-JA, de Abel Chivukuvuku, que recebeu a tempo o apoio importante de Jardo Muekalia antes do seu falecimento, e de Bela Malaquias. A estes acrescem o carnaval colorido de Irina Diniz (filha de Raúl Diniz, proscrito do MPLA), o apoio público de figuras controversas como Marcolino Moco (também proscrito do MPLA) e a ligação ao ativismo contestatário de Nelson Dembo “Gangsta”, irmão do dirigente Simão Dembo, atualmente na Comissão Política da UNITA.

Internamente dividida e perdida na sua própria teia de contradições, a UNITA colhe agora os frutos da sua inaptidão estratégica além-fronteiras. Toda esta postura tem-lhe fechado portas à escala internacional, evidenciando-se numa relação dúbia e opaca com a Rússia de Putin e o Catar, além de manobras de feitura marqueteira, como a encenação de uma “audiência papal” que não passou da participação nas habituais audiências públicas semanais concedidas por Sua Santidade.

Colhida pelo próprio disfarce, e perante a insistência direta e através de intermediários especulativos, a diplomacia do partido tem dado contra um muro intransponível: as autoridades portuguesas têm recusado sucessivos pedidos de encontros oficiais. Com efeito, ao fechar-se em redutos de fachada e alianças periclitantes, o partido autoproclamado alternativa prova apenas estar cada vez mais isolado, descredibilizado e irrelevante no tabuleiro geopolítico global.

É neste quadro factual que está submerso o Galo Negro, inofensivo, distante, trancado na vacuidade, enquanto o País entre numa fase decisiva da sua história, a croncretização de um rumo que se traduz na estabilidade cambial, recuperaçã financeira, cumprindo sucessivas estapas no seu desenvolvimento, faltando uma Revisão Constitucional profunda, colocar no Estado e no Governo uma linha de continuidade, pressupostos que apenas o MPLA na assunção da sua responsabilidade histórica, pode livre e democraticamente, com Ordem Pública e consolidaão da esperança e dignidade da cidadania, concretizar e 2027 a Nova República.