Higino Carneiro é um mero exercício de nostalgia cansada — e não da boa.
A sua candidatura não revelava força política real, apenas a tentativa de reciclar um passado que Angola já conhece demasiado bem.
O facto de ter conseguido apenas 2.000 assinaturas válidas é, por si só, um sinal inequívoco: o apoio efectivo é mínimo, residual, quase simbólico.
Tudo o que ultrapassa esse número entra inevitavelmente no domínio das irregularidades. Se cada assinatura inválida corresponde a um acto de falsificação, então estamos perante 2.000 potenciais crimes de falsificação, matéria que exige apuramento rigoroso e intervenção das autoridades competentes.
O resto é conversa — conversa de crimes, de expedientes, de práticas que o país associa ao seu percurso e que nunca foram totalmente dissipadas.
A tentativa de inflacionar números ou de apresentar listas duvidosas não demonstra vitalidade democrática; demonstra precisamente o contrário.
Quando um candidato aparece com mais problemas de validação do que apoios genuínos, o que sobra é a percepção de que está a tentar fabricar uma relevância que já não possui.
Angola não pode ficar refém de figuras que representam atrasos de vida.
O país precisa de olhar para a frente, para a renovação, para o progresso, para uma geração política capaz de romper com práticas que minam a confiança pública.
O futuro constrói‑se com transparência, responsabilidade e mérito — nunca com o regresso de quem simboliza um ciclo político esgotado.
Higino Carneiro não representa futuro algum; representa apenas o peso de um passado que os angolanos preferem deixar definitivamente para trás.

