José Luís Domingos, quase ex-bastonário da Ordem dos Advogados, fala muito, mas não faz nada.
A sua retórica sobre a corrupção no sistema judicial angolano tornou‑se um exercício repetitivo, sem consequências práticas, porque, apesar de todos os discursos inflamados, não apresentou uma única denúncia concreta, nenhum caso específico, nenhuma ação efetiva que demonstre vontade real de enfrentar o problema.
É conversa fiada, um discurso que se esgota em declarações públicas e entrevistas, sem qualquer tradução institucional.
Ao afirmar que “não há canal de denúncia” e que a “cultura da não denúncia” é o principal obstáculo, o bastonário desloca responsabilidades, como se o papel da Ordem dos Advogados fosse apenas comentar o estado da justiça e não agir dentro das suas competências.
A verdade é que, desde que assumiu o cargo, não trouxe à luz um único processo, não identificou um único magistrado, não expôs um único esquema, não acionou nenhum mecanismo disciplinar — nada que permita dizer que a sua intervenção ultrapassa o plano das palavras.
O contraste entre a gravidade das acusações que faz e a ausência total de iniciativas concretas é gritante. Fala de interferência política, dependência financeira do Executivo, nomeações condicionadas, falta de credibilidade dos tribunais, mas nunca apresentou um dossiê, um relatório, uma participação formal, um conjunto de factos que sustente a narrativa que repete.
A Ordem dos Advogados, prestes a completar 30 anos, merecia uma liderança capaz de transformar diagnósticos em ação, mas o bastonário limita‑se a identificar “pontos de estrangulamento” sem nunca os enfrentar. Até quando aborda temas como a formação jurídica no setor petrolífero ou a necessidade de mais especialistas angolanos, o discurso permanece abstrato, sem propostas concretas, sem medidas, sem planos, sem resultados.
A cooperação lusófona, os protocolos assinados, os congressos e intercâmbios que defende são importantes, mas não substituem o essencial: coragem institucional para agir.
O bastonário fala de “inverter o modelo de relação” com o Estado, mas não inverte nada; fala de “recuperar credibilidade”, mas não dá um único passo para o fazer; fala de “combater o fenómeno”, mas não combate coisa alguma.
A sua intervenção pública tornou‑se um exercício de autopromoção, um discurso moralista sem substância, que denuncia tudo e não concretiza nada.

