É desolador, confrangedor, quando alguém se assume dono do trono pífio, de um reino circunscrito num separatismo imaginário, delirante, que confunde cultura histórica com a realidade civilizacional, agravada pela presunção de superioridade étnica, assente numa prioridade política.
O monarca autoproclamado reizinho Lukamba “Miau” Gato, prisioneiro de um primitivismo retrógrado, veio a público proclamar a coutada em data de uma derrota e rendição. Não é estranha a similitude com a UNITA, com o Galo Negro depenado e humilhado, ganhando asas postiças engendradas por José Eduardo dos Santos, que com benesses acantonou, à semelhança do colonialismo, os Kwatchas numa oposição silenciosa rendida ao iluminismo urbano da capital.
E o ignorante escreveu:
“Em política, os números nunca mentem. Quando milhares de jovens abandonam o seu país, estão a emitir um voto silencioso mas inequívoco, sobre a realidade que vivem. É um voto de desilusão, de falta de esperança e de perda de confiança nas instituições e nas políticas públicas.
Nenhum país pode considerar-se verdadeiramente vencedor quando exporta, ano após ano, a sua maior riqueza: os seus jovens”.
O país da União Europeia com maior PIB per capita, o Luxemburgo, tem mais luxemburgueses nos Estados Unidos da América que no seu país.
Portugal tem um terço dos seus cidadãos espalhados pelo mundo, contribuem para a economia do país mais do que 90% dos setores da economia.
Cabo Verde tem uma das democracias mais consolidadas de África, tem mais cabo-verdianos fora do que residentes no país. Controlam mais de 50% do turismo em Cabo Verde, principal setor económico do país.
O Japão tem 1.500.000 cidadãos no Brasil, a Itália tem 20% dos seus cidadãos no Brasil e Estados Unidos da América, Marrocos, Argélia, Mali, Mauritânia, Senegal, Togo, Gabão, Congo, RDC, têm milhões de cidadãos em França, Bélgica, Holanda. A Turquia tem 5 milhões de emigrantes na Alemanha. A Índia e o Paquistão têm milhões de emigrantes no Reino Unido.
O Brasil tem 500.000 cidadãos emigrados em Portugal.
Todos, mesmo todos, contribuem positivamente para a economia dos seus países de origem, proporcionam bem estar a familiares, e são uma mais valia de conhecimentos adquiridos, experiências vividas, e normalmente respondem sempre à chamada quando chamados às origens.
Afinal de contas,o monarca Mbundo, reizinho Lukamba “Miau” Gato, até tem uma filha emigrada em Portugal.
A emigração é um fenómeno secular, avolumou-se com a globalização e com as distâncias que ancestralmente separavam e hoje unem cada vez mais, é uma imbecilidade ilimitada confundir o emigrar com um voto de protesto, talvez por isso a UNITA ganhe sempre eleições com votos imaginários, mas em democracia o voto nas urnas, expresso livremente, é o que conta, a realidade diz-nos que o Galo Negro está, uma vez mais, prisioneiro de uma imaginação balofa, inócua e fantasiosa. A mobilidade é uma conquista de reciprocidades que arrastam benefícios recíprocos, o filho de emigrante Barack Obama chegou a presidente dos Estados Unidos da América. Fidel Castro nasceu na Galiza em Espanha. Catarina da Rússia nasceu na Alemanha . O judeu José, filho de Abraão, foi rei do Egito. Agostinho de Hipona, hoje Argélia, foi a voz do Imperador de Roma, e o mais importante Santo Católico. Os afro-brasileiros Machado de Assis, Nilo Peçanha, José do Patrocínio, os irmãos Rebouças, são ícones da história e cultura do Brasil.
A emigração é um ato de gente livre, um emigrante não é um foragido, um auto exilado, é espantoso que a crítica venha de quem usou jovens angolanos à força para morrer enquanto tinham os filhos a estudarem em Paris ou Lisboa.
“Kwatcha” que na tradução literal quer dizer “Acorda”, parece ter provocado letargia cerebral nos “maninhos”, com certeza chegará a hora em que a realidade irá despertar impiedosamente, ela está marcada para despertar com a melodiosa sinfonia da esperança, na pauta da Nova República.

