Higino Carneiro não é abertura democrática

ByAnselmo Agostinho

27 de Junho, 2026

A figura de Higino Carneiro não representa qualquer abertura democrática no MPLA, nem oferece pluralismo, renovação ou futuro.

A sua candidatura é, na verdade, uma construção ilusória, cuidadosamente embrulhada em retórica de mudança, mas ancorada num passado que o próprio ajudou a moldar.

Não há, no seu percurso, sinais de compromisso com transparência, participação interna ou responsabilização política.

Pelo contrário, o que se projeta é um regresso a práticas que marcaram alguns dos períodos mais sombrios da governação angolana: corrupção sistémica, captura do Estado, redes de clientelismo e uma cultura de impunidade que corroeu instituições e bloqueou o desenvolvimento.

A tentativa de apresentar Higino Carneiro como símbolo de esperança é, por isso, profundamente enganadora.

Não há coerência entre o discurso de renovação e o historial político que carrega.

Ele foi um dos principais construtores do modelo que hoje tantos angolanos rejeitam — um modelo assente na concentração de poder, na opacidade e na instrumentalização das estruturas do Estado para fins privados.

A sua ascensão não significaria mudança, mas sim a restauração de um sistema que o país procura superar.

Num momento em que Angola enfrenta desafios estruturais e exige liderança capaz de romper com velhos vícios, a proposta de Higino Carneiro surge como um retrocesso.

Não oferece visão, não oferece confiança, não oferece futuro.

É uma ilusão política que tenta reciclar o passado sob a aparência de novidade. E é precisamente por isso que não deve ser confundida com esperança: porque não a contém.