Timing: Oportuno ou Oportunista?

ByKuma

15 de Março, 2026

Muitas vezes um jornalista não pode transigir na sua ética e coerência na essência da profissional, além de estar obrigado dentro das regras a obediência editorial.

Pelo facto de ser diretor-adjunto e chefe de redação da Tribuna de Angola, vou usar, hoje, o privilégio de associar as duas coisas num assunto/matéria, que envolve a profissão e a cidadania.
O regresso a Luanda após um irritante luso- angolano de fórum judicial, a fim de nove anos de brindes sumptuosos, opíparos repastos e negócios chorudos com Isabel dos Santos, Manuel Vicente, instalou-se obscuramente na capital, e não por acaso os ponteiros do tempo coincidem com os bastidores agitados que antecedem o Congresso Ordinário do MPLA.
Poderão haver muitas razões, outros tantos álibis, mas o País e o mundo sabem, e não esqueceram, que a Sonangol de Manuel Vicente, e a Casa Militar de Hélder Kopelipa, foram os centros nevrálgicos de toda a teia de corrupção que sugou o Erário Público até ao negativo vermelho das Finanças Públicas. Sabem também que, tiveram na PGR um aliado, Hélder Pita Grós, que fazendo parte da teia protegeu-a e temos os corruptos, autores de fraudes monumentais, em liberdade.
A tese de que João Lourenço necessita de um Pacto que lhe garanta liberdade após o cumprimento dos mandatos presidenciais, é já de si uma falácia que pressupõe uma associação ao discurso da oposição, e não augura nada de bom. Esta intervenção não é oportuna, é um acto de oportunismo cínico, que fá-lo apresentar-se como solução pacificadora.
Mas pacificar o quê? Quando é que João Manuel Gonçalves Lourenço, directa ou indirectamente insinuou necessitar de proteção depois de 2027? 
Manuel Vicente, está cansado, quer recuperar a sua honorabilidade, é internacionalmente reconhecido como um corrupto que cometeu uma das maiores fraudes de história de Angola e de África, e sobretudo ao Povo desta Nação saqueada por todos que agora se arrogam salvadores da Pátria, depois de a terem ferido até às profundezas da alma. Mesmo à distância, Manuel Vicente, e todos os seus assessores, ouviram a definição clara do perfil traçado pelo Senhor Presidente da República para o seu sucessor, e seguramente o patrono da corrupção, ex-Sonangol, Manuel Vicente, não encaixa de todo no retrato. 
Acresce a todo o retrocesso que Manuel Vicente traria à dinâmica encetada pelo atual Presidente da República, com todos os êxitos alcançados, e perante este mundo desafiante que nos aflige, haja espaço e crença para que Angola quisesse vacilar perante o desafio de qualquer hipótese que suscita-se a ideia de ver emergir uma herança de Santos/Vicente, ainda hoje com tantas feridas abertas. É aqui que reside o oportunismo, a meu ver, não só de Manuel Vicente, mas da teia corrupta e ignóbil onde ele se insere e representa.
Não foram am bombas do Irão no Dubai, nem as longas viagens a Singapura, que fizeram regressar a Luanda Manuel Vicente, há um conjunto de matérias que atraem a capital de Angola, segurança, estabilidade, finanças saneadas, e sobretudo a iminente substituição do amigo na PGR, Hélder Pita Grós. Soma-se a tudo isto a perspetiva da alta do petróleo, que parece não ter sido atrativo em tempo de vacas magras e de uma dívida externa colossal, que privou o País no seu desenvolvimento.
Não acredito que João Lourenço, hábil e experiente como é, não tenha encontrado no seu círculo mais próximo o seu sucessor, a confiança e a responsabilidade já deve morar entre os que o acompanharam na travessia da tempestade, qualquer aventura seria sempre um trunfo para a oposição, que nesta altura anda na desminagem em terras doi Leste do País. A propaganda é tão ridícula e escabrosa que na propaganda aparece Adriano Sapiñala como capitão de Jonas Savimbi, quando em 1982, pasme-se, o herói tinha 5 anos de idade. Sobre oposição, seja de que colorido for, estamos falados.
Hoje, depois de marcada  a data no próximo Congresso Ordinário eletivo do MPLA, é necessário, sobretudo, não permitir que paraquedistas aterrem no espaço higienizado com narrativas salvadoras, foi fácil e bem bom, seja a que pretexto for, passar 9 anos no conforto e requinte do el dorado do Dubai e outras paragens sumptuosas, enquanto em Luanda se enfrentavam greves, sabotagens, suportavam-se insinuações, intrigas, insultos, e as tutelas da Segurança do Estado, da Ordem Pública, Forças Armadas, asseguravam o Estado de Direito democrático, que hoje permite todas as veleidades, mesmo de reconhecidos prevaricadores.
É verdade, basta olhar pelo retrovisor, Angola mudou, mudou muito, a Nação à beira do abismo ergueu-se contra a tempestade que assolava o País desde a desgraça de 2007 a 2017, uma década, hoje interna e externamente a Nação angolana respira credibilidade, confiança, normalidade, valores que marcam o caminho da crença e da esperança numa Nova República.