A nova tentativa russa de controlo da Sociedade Mineira da Catoca

ByAnselmo Agostinho

12 de Março, 2026

A recente movimentação em torno da CATOCA e dos projectos diamantíferos associados revela uma estratégia clara de tentativa de controlo russa ao sector, agora mediada pelo novo proprietário omanita.

Embora Omã apareça formalmente como o novo actor dominante, as propostas de reintegração apresentadas pelo investidor evidenciam um padrão inequívoco: a reintrodução sistemática de quadros ligados à Alrosa, sinalizando uma tentativa de reconstruir, por via indirecta, a presença russa que havia sido desmantelada após 2022.

Os documentos analisados mostram que o proprietário omanita submeteu propostas para a entrada de vários técnicos russos — todos ex‑quadros da Alrosa — em posições estratégicas dentro da Sociedade Mineira (SM), da CATOCA e do projecto Luele.

Entre os nomes avançados encontra‑se Sergey Chuvilin, antigo dirigente da Alrosa, agora proposto para o cargo de Director‑Geral Adjunto para a Área Financeira, uma função que lhe conferiria acesso directo aos fluxos financeiros e à arquitectura de decisão interna.

A par dele surge Roman Svadchenko, que representou a Alrosa na Assembleia Geral de Sócios e que é agora sugerido para o cargo de Secretário da Mesa da Assembleia‑Geral, posição sensível na governação societária e na gestão de deliberações estratégicas.

Outro nome incluído é o de Akil Zubirt, que desempenhou funções de representação da Alrosa na Bélgica, com experiência directa no comércio internacional de diamantes.

A proposta prevê a sua integração precisamente nessa área, o que permitiria reactivar canais comerciais e redes de escoamento anteriormente controladas pela Rússia.

Para além destes quadros, as fontes indicam ainda a intenção de reintegrar avaliadores de diamantes de nacionalidade russa — profissionais que, no passado, avaliavam a produção da CATOCA em nome da Alrosa — embora sem identificação nominal nesta fase.

O padrão é demasiado consistente para ser interpretado como coincidência.

Através do investidor omanita, que funciona como intermediário formal, a Rússia procura reocupar posições técnicas e de governação que antes lhe garantiam influência directa sobre a produção, avaliação e comercialização de diamantes angolanos.

Trata‑se, portanto, de um movimento de retorno estratégico, cuidadosamente dissimulado sob a aparência de uma nova gestão estrangeira, mas que na prática reconstitui o núcleo operativo da antiga presença russa no sector diamantífero.